Estar na moda

Não sou grande adepta de novas modas, ou melhor, não é por estar na moda que adiro a determinados movimentos ou ditos estilos de vida. Lembro-me assim de repente do Gin, que ainda não me convenceram a tornar a provar, embora adore os copos em que se bebe o dito cujo e as suas novas formas de apresentação, que literalmente dão para adequar a qualquer bebida branca mais a meu gosto; ou as calças rasgadas de que possuo um par e só porque me custaram 10 euros e portanto um preço mais em conta que umas calças completas – dar mais dinheiro por umas calças com menos tecido parece-me um bocadinho pateta, por muito na moda que esteja o modelo. São estes tipos de raciocínio que gosto de fazer e que aprimorei com esta malfadada crise. (Exemplos como quaisquer outros que possa dar no que respeita à forma como gosto de distribuir o bem mais escasso que possuo e que me dá mais trabalho a conseguir). 

Esta semana descobri que, pelos vistos, sou adepta fervorosa do novo movimento de nesting. Nunca fui muito expedita no que toca a trabalhos manuais, mas segundo se diz a necessidade aguça o engenho e decoração é uma das coisas que mais gosto. A minha necessidade de ter um espaço que gosto e onde me sinto bem é quase vital e depois da última mudança decidi que iria fazer desta casa o meu lar. Apesar de já com alguma idade, este lugar tem muitas características de que gosto, principalmente o quintal. Para o quarto do mais velho tive necessidade da ajuda de profissionais e ao meu gosto e com a ajuda deles consegui transformar o espaço. Dediquei-me à bricolage e agora sou quase mestra em aparafusar e desaparafusar, trabalhar com berbequim e, imaginem, com restos de coisas que já não uso tenho feito prateleiras e arranjado complementos de decoração muito ao estilo IKEA e muito mais em conta. 

A ultima grande obra em que me meti foi a remodelação da cozinha. Para isso foi necessário aprender sobre pinturas. É verdade que ando nisto há alguns meses mas também é verdade que pouco a pouco a cozinha vai-se transformando . Entretanto vou fazendo transformações no quintal, cuidando da horta e por que o espaço está cada vez mais vestido com as roupas de que gosto, mais vontade vou tendo de por aqui ficar a desfrutar deste lugar, que por estar a sair directamente dos meus sonhos para a realidade, através das minhas mãos, mais orgulhosa me vai fazendo ficar. Não há como ver a prol do nosso esforço a transformar para o bem o nosso estilo de vida. Para além de tudo isto me estar a ficar incrivelmente barato, ainda dou uso a monos que não sabia que utilidade lhes dar, para além do lixo. 

E enquanto me dedico à bricolage, decoração e jardim, ainda faço terapia ocupacional, muito higienica para a “moleirinha”. É só pontos a favor! 

Diz que se chama nesting, isto que ando a fazer, e que está na moda

Lido aqui

O Politicamente Correcto Mata  – ou só os burros não mudam de opinião

Estou a ler um livro que estou a adorar. Dele pouco mais posso dizer agora do que: leiam, se querem saber mais sobre o estado Islâmico. 

Já fui das que achava que todos temos direito à nossa liberdade de culto assim como à nossa liberdade cultural, mas um dos princípios que formam a minha maneira de olhar o mundo é o tal mandamento ( sagrado, para mim) que insiste em que a nossa liberdade acaba quando começa a liberdade do outro. Este princípio serve, no entanto, em duplo sentido e tal como gosto de respeitar a liberdade alheia, aprecio que respeitem a minha. Foi com base nestes meus princípios que, na altura da barafunda em França por causa da véu Islâmico, me chocou a proibição que se queria impor ao seu uso. Eu própria gosto de usar lenços na cabeça e não pretendo mudar de religião ( pelo menos se disso não depender a manutenção da minha existência). Pois é disso que se trata. Estamos perante um novo movimento de cruzados, só que ao contrário. A intenção, a ser levada a sério, é a reconquista. Eu, que me habituei a ser chamada de Moura, sinceramente, desde que estou a ler este livro ( esse que está aí ao lado direito deste meu espaço de liberdade :  A viúva negra) começo a achar cada vez menos piada à história – consequências de gostar de história e de portanto saber que nós, pelo menos até ao Mondego, fazemos parte do Califado, esse espaço místico, dos livros de história, que nos trouxe a tez mais escura, as terras começadas por Al as diversas formas de transportar água, a numeração e uma série de outras coisas que nem imaginamos que tenham sido trazidas para aqui por esses, os Árabes, que agora querem vir buscar o que acham que nós, os católicos, lhes retirámos. Dito assim, parece coisa bafia, envelhecida, sem nenhum significado. A grande diferença é que enquanto nós, como sociedade, fomos evoluindo – melhor ou pior, mais ou menos – esta gente que agora reclama o que acha que é seu por direito, ficou suspensa na idade média. 

Já li o Corão. Para quem acha difícil a interpretação da bíblia, o Corão será o livro impossível de interpretar. Pode-se extrair todo o tipo de ensinamentos dali, com a dificuldade acrescida de que são versículos quase que desfazados uns dos outros que a interpretar à luz do tempo em que foram escritos, de facto, determinam uma lei rígida, inflexível e um pouco selvagem. Aquilo que se vê: cortam-se membros, apedrejam-se pessoas… nenhum católico, nem mesmo Judeu, no seu juízo perfeito, nos dias de hoje, se lembraria de apredejar alguém como forma de punição contra o crime. O que é facto é que a lei religiosa existe e está em uso em quase todos os países de essência muçulmana. Ou seja, nós, ocidentais, temos um problema entre nós e não o queremos reconhecer. 

Deixá-los praticar a sua religião não pode nunca significar deixá-los formar guetos, aplicar leis paralelas, retirar por cultura, direitos essenciais consagrados sobretudo às mulheres, nas nossas sociedades. Sim, alterei a minha forma de pensar o véu Islâmico, alterei a minha forma de pensar a liberdade cultural. Não sou contra os refugiados, nunca fui. Ninguém deve ser obrigado a viver em condições sub-humanas, mas não podemos nunca esquecer o que aconteceu aos Judeus e sobretudo não podemos esquecer o que lhes fizemos. De um deserto ergueram uma nação e lutam por ela desde que lhes negámos outro espaço por falta de capacidade de acolhimento. Eles, melhor do que ninguém, sabem o que significa uma cultura de ódio. Há muito que o islâmismo, quando praticado, deixou de ser uma religião de paz e prosperidade. Transformou-se sim numa religião de guerra contra a diferença. Numa luta constante em nome de um Deus muito pouco bondoso e sobretudo muito pouco misericordioso.

 A história repete-se ciclicamente. E parece que nunca aprendemos nada. 

Temos um problema grave entre mãos e convém agir antes que esse problema nos rebente as entranhas. 

A ler : Blasfémias