O livro 


Promete-me que quando o livro se fechar

Quando a história se acabar 

Te vais lembrar

De mim

Promete-me que 

Se os olhos se fecharem 

Quando as lágrimas se acabarem

Te lembrarás de mim

Se te lembrares 

Como as histórias acabavam

Quando os olhos se fechavam 

Sei que o amor não terá fim 

Enquanto andares por ai


O livro da vida é igual ao do amor

Se olhares com atenção

Vês melhor 

o que diz o coração 



[Il Libro Dell’ Amore (The Book of Love) (feat. Zucchero)]

Il libro dell'amore mi annoia
E pesa come l'anima
È pieno di
Carezze al cuore
E modi per danzare
Ma mi piace quando lo leggi tu
E tu di più
Tu puoi leggermi il cielo al blu

Il libro dell'amore suona
Nasce così
La musica
A volte un pò
Banale stona
A volte solo stupida
Ma mi piace quando la canti tu
E tu di più
Tu puoi cantarmi il cielo al blu

Il libro dell'amore mi annoia
È stato scritto tanto tempo fa
Pieno di fiori
Nella notte buia
Che non sappiamo cogliere
Ma mi piace quando li cogli tu
E tu di più
Dovresti darmi fede in più
Ma mi piace quello che sei tu
E tu di più
Dovresti darmi fede in più

Fedi nuziali e fede in più

https://youtu.be/iWrIjN27w_M

Do que a vida nos tira e do que a vida nos dá

É engraçado como nos vamos modificando ao longo da vida. No outro dia falava a minha irmã da sopa de ovo que não comemos ( e ainda bem!) desde que a minha avó morreu. A dita sopa, com espinafres e ovo a boiar, é das lembranças mais asquerosas que guardo da minha infância. 

Das poucas coisas de que não gostava ( sempre fui de boa boca) a dita sopa encabeça a lista das coisas de que não tenho saudades. 

No entanto, tudo muda, e os espinafres, de legume destestado, tornou-se num legume adorado. Com muita pena minha ainda não consegui encontrar um lugar apropriado para os plantar aqui no quintal. Embora nasçam, ficam tão enfezadinhos que não dão nem para sonhar com um esparregado – mal a mal uma sopita com cheiro de espinafres. 

Já as beldoregas no meu quintal, são mato. Não sou fã de açorda de beldoregas, mas na sopa são um espectáculo e desde que descobri que são ricas em omega 3 é deixa-las crescer. E crescem em tudo quanto é buraco até junto das flores do outro lado do quintal.

Do batatal em flor, passando pelo feijão verde, até às abóboras, melancieiras e tomateiros, há de tudo um pouco neste quintal. 

A quantidade é minima, é certo, mas o prazer que me dá andar por aqui a ver as coisas crescer é o suficiente para me manter firme nas plantações. Este ano vou experimentar a batata doce. Para ver se cresce. Sou tão teimosa que nunca desisto às primeiras. As ideias ficam em ruminaçäo, a digerir lentamente, até que encontre uma nova forma de fazer exactamente a mesma coisa e esperar os resultados. Foi assim que consegui ter, neste momento, 3 chuchus em crescimento, um batatal em flor e cenouras suficientes para fazer sopa. 

E se me dissessem, aqui à uns anos, que iria gostar tanto de plantar, provavelmente nem iria acreditar. 

Uma das coisas que me dá mais prazer é vir ao quintal apanhar as ervas aromáticas para o jantar e utilizar o que plantei para confeccionar as nossas refeições. Simples assim e tão gratificante.

 Às vezes as coisas são como são por motivos que só mais tarde viremos a compreender. E ainda bem. 

” Anda tudo a fazer pouco da gente” 

Lembro-me vezes sem conta deste sketch e quem lida no dia a dia comigo sabe que muitas vezes, a falar sozinha, remoendo as frustrações, lá se solta a frase ” está tudo doido neste país”! numa alusão muito própria a este programa (se não me engano o Sabadabadu que dava aos sábados à noite, num tempo em que os serões de fim de semana ainda eram passados em casa). Estamos a falar, portanto, de mil novecentos e oitenta e troc’ó passo. … ( uma visita rápida ao Google e descubro que foi para o ar em 1981, o que me parece irreal, mas confirmado por várias fontes – isto leva-me a confirmar que tenho mesmo uma memória prodigiosa, já que teria 4 anos nessa altura – caramba! ) 

No essencial pouco evoluímos, embora pareçam muitas as mudanças – talvez sejam, mas o essencial vai-se mantendo enraizado – pelo que quando me deparo com este tipo de coisas a vontade é logo a de soltar um…”está tudo doido, neste país”! 

Vamos por partes, para não dar lugar a mal entendidos. Não sou homofobica, aliás acho que o que cada um faz debaixo dos seus lençóis, ou lá onde seja, a mim não me incomoda nada desde que não me prejudique, mais, a capacidade técnica e profissional de cada um não pode ser posta em causa devido às suas opiniões ou orientação sexual. O que pode ser posto em causa é a forma como lida com pessoas com outras práticas ou ideias. Sendo assim chegamos a um ponto de pé de igualdade – “tu não entras no meu espaço de dança e eu não entro no teu” muito ao estilo dirty dancing – ou seja, tanto direito tem um homosexual de o ser e não ser discriminado por isso, como tem o dr Gentil Martins de achar o que quiser achar sobre a orientação sexual seja de quem for desde que não prejudique ou discrimine ninguém por isso. E é aqui que entra a parte do está tudo doido neste país. Não terá a Ordem dos médicos mais com que se preocupar do que com as opiniões do referido médico? Em que é que as suas opiniões prejudicaram algum dos seus pacientes? Há provas de que tenha tido alguma vez  praticas discriminatórias em relação a homosexuais? Não?! Então deixem o homem em paz! Sim?! Investigue-se e prove-se isso. Um ser humano, pessoa, vai muito para além daquilo que faz como profissional e tem o direito à sua opinião, mesmo que seja desalinhada com o senso comum. Ninguem é exclusivamente bom, não há gente exclusivamente má, todos temos zonas cinzentas, todos! 

A noção de democracia é exactamente esta: alinharmo-nos pela maioria não implica sermos absorvidos por ela. Não prejudicando ninguém podemos e devemos ter o direito à nossa opinião, desde que esta não prejudique terceiros. A opinião do Dr Gentil Martins, não passa disso, uma opinião, aliás alinhada com a maioria das opiniões das pessoas da sua geração. Se como médico poderia ter uma visão diferente? Poderia, claro, mas dada a sua idade e o género, assim como a sua religião, seria muito improvável que isso acontecesse. O que me parece verdadeiramente disparatado é fazer-se uma queixa à Ordem dos médicos porque o sr tem essa opinião. Querem ver que agora as ordens profissionais vão também querer suprimir o direito á livre opinião???

” Este país é um colosso, está tudo grosso, está tudo grosso” – 36 anos depois!