Toda a gente aguarda, espera…toda a gente percorre um caminho, mas nem toda a gente sabe onde vai. Parar? resistir de se deslocar aos encontrões arrastado por quem caminha aparentemente com sentido, ou seguir… com rumo de marés de gente…com rumo de caminho feito por outros, pelo qual nem sequer caminhas, segues apenas levantado do chão pela multidão que insiste em te levar sem sequer te olhar para o rosto…

Foi numa viagem distante que encontrei as outras partes de mim. Perdidas, separadas, difusas, eu própria me separei de mim…Num dia já sem marca no calendário, daqueles que ficam guardados como a memória de um beijo, mas impossíveis de distinguir numa humana forma de contagem, alguém se propôs a encontrar e juntar as partes de um todo que formam o universo incoerente que é o corpo e a alma de uma mulher. E se isso não é amor, não sei o que é, não me perguntem…


Sei apenas que a eterna ebolição dentro do meu ventre se transformou em vapor e ocupou a atmosfera, neste meio jeito volátil de demonstrar o amor… que transformo em sinais de fumo e não consigo conter, por muito que as crateras que existem em mim se esforcem por esconder…

Quero especializar-me em procurar o meu caminho sem seguir o que outros sonham para mim. Sou como uma pequena abelha que pousa em várias flores e dela estrai o seu pólen. Flor e abelha independentes mas complementares. Sem flor como faria a abelha o seu mel? Só o amor me prende, só o amor em mim cria raízes, o que sobra, o que se vê, é um pouco de tudo e de nada de pequenos voos que complementam a força da natureza na sua função aparentemente singela. Não se espera da abelha que seja borboleta, nem da borboleta que seja abelha, cada uma é o que é…A natureza é bela porque mantém simples as suas funções. O homem cria discórdias sempre que deseja construir grandes torres de babel que nunca chegarão aos céus…
Grandes impérios de sol, ou de lua demoram anos a construir sem pressas, aproveitando apenas o melhor de cada uma das suas partes, ou não se teriam mantido tanto tempo de pé, nem seriam impérios…

Desperdicio de vida, horas e horas passadas agarradas a um nada para onde transferes o tudo que já não tens.
E os castelos de areia vão , a pouco e pouco, sendo levados pelo mar, que tudo leva, que tudo lava.
Gritas na solidão, palavras que nem tu entendes, e mesmo assim esperas que o eco te responda… respostas a perguntas que tu não sabes fazer, que tu nem sabes quais são..
E o amor? e o amor? palavra sem significado palpavél, usada como desculpa para tanta confusão…solidão…