homónimos anónimos

Era noite…ou podia ser dia…a luz entrava timidamente pelas pequenas frestas da persiana fechada…
Cheirava a nós, a noite, a tudo, a um tudo que não voltei a cheirar. A venda era minha, os olhos não viam, só o corpo sentia, todos os pedacinhos de pele atentos a ti…vês como é fácil? Agora acertava, já acertava sempre, conhecia cada ponto, cada pormenor, cada toque de todos os pedaços de ti…e queria mais, sempre mais…rias-te como se o prazer não viesse só do corpo mas do facto de sermos assim…um ínfimo pedaço de tudo que nos rodeava, porque o mundo falava baixinho quando estavamos os dois, só porque queria aprender as lições que lhe ensinávamos
Ontem tive um sonho…sonhei que me dizias que as noites de chuva que agora passam sempre sem ti, darão lugar a outras noites… São noites sem vendas, sem jogos, sem ti…chega-me a tua voz em sonhos, sorris ainda… dizes-me qualquer coisa que eu não entendo, como se me tentasses de novo ensinar um jogo, um jogo importante, mas eu não entendo e tu ris-te, de novo…
houve qualquer coisa que ficou por dizer, como se me tivesses deixado amarrada, a coisa que eu tenho mais medo, e tu rias-te…trocamos agora
e eu acordo à noite ( põe a música outra vez) …ensinas-te-me segredos que mais ninguém sabe, viraste costas e foste embora sozinho, e eu , eu fiquei amarrada, tal como era o meu receio, não já a ti…mas ao que me ensinaste e que agora é apenas segredo meu…

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