As horas do fim

Senta-te na tua cadeira, espera… 
A espera faz passar o tempo numa câmara de imagem em passagem rápida, o cabelo cresce juntamente com todos os apêndices de que te constróis. Não era nada disso que estava planeado, e as cordas ( de onde apareceram as cordas?) apertam-te à cadeira que ganha assim mais dois pés permanentes ( não servem  de nada , de que servem estes pés se tens uma cadeira, como se fosses uma tartaruga sem local para se esconder) Tentas deslocar-te, mas a cadeira não te larga, colada ao corpo…
 – Alguém troca, alguém quer trocar? alguém viu as horas, em que parte é que vamos, falta muito para chegar ao fim? mas que filme é este?-
... cais, a cadeira incomoda-te os movimentos e vais com a cara ao chão, sentes o escorrer agri-doce do teu sangue ( de onde vem o sangue? quem me desamarra as mãos?…)
– Mas quando é que isto acaba? Alguém sabe o nome do filme?-
Não é uma cadeira, é uma cama, os apêndices estão maiores, o cabelo cresceu, é o teu rosto marcado, vincado ( quando foi que te viste ao espelho? sim és tu…) os pulsos acusam os anos de cordas, as marcas já não sagram, calejam-te a pele, as marcas mais que roçadas, forçadas… A visão é sempre a mesma, branco, branco e luz ( de onde é que vem esta luz? ninguém apaga a luz? é de dia ou de noite? e o sol? já morreu o sol? já se consumiu nas suas eternas combustões? esta não é a luz do sol, essa muda ao longo das horas…)
– Que horas são? mas ninguém sabe as horas?-
Tenho fome , tenho frio – Está por aí alguém? queria ir só até ali…ter a certeza que são ainda minhas estas pernas, que não se transformaram em pernas de cadeira ou em cadeira de pernas… A luz mudou…não ouço nada…está aí alguém? alguém???
que filme é este? mas ninguém quando é que isto acaba? que horas são?  
                                        
                     São as horas do fim

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