Move-te

E um dia acordas e vês tudo aquilo que perdeste, enquanto olhavas para o horizonte. À tua volta tudo se mexeu e tu, quieta, solitária como uma estátua ou um mimo humano onde só o sangue se move, perdeste algo insubstituível – o tempo em que podias ter transformado em sorrisos os desfiados momentos do relógio.
Move-te, mexe-te, ninguém espera por ti se não correres atrás do vento que trás noticias daquilo que queres ouvir.
O coração,  imperador do teu amor, bombeia incessantemente o liquido vital que te permite respirar. Imita-o, move-te, não percas o que depois de perdido, dificilmente se voltará a encontrar – a esperança… algures alguém espera por ti…move-te.

A música, o puzzle e as gargalhadas

O que me faz rir ?
O medo que ainda pressinto em ti, quando não sabes o que poderei fazer a seguir.
Gargalhadas ( suspiro )
A bem dizer, ainda me surpreendo, que te surpreendas.

Imagina um enorme puzzle, com demasiadas peças, para qualquer ser humano minimamente normal .
Agora imagina que metade delas não encaixam em lado nenhum ( agora imagino eu, aposto que já sentes vontade de dar um pontapé no maldito puzzle. Eu já )

E pronto cá estamos! Dá-me música que eu gosto.
Quando ao resto não sei muito bem como desembrulhar o presente, e o que fazer ao puzzle…

Mas dá-me música que eu gosto.

A cair…
rasgas a roupa ao cair, partes as cristalinas partes que te compõe…
compões um Frankenstein e segues em frente
morta, zombie, retalhada em pedaços de morte ainda em carne viva
confusões, ilusões, empurrões
e eu…
sempre eu, a cair
partida em mil pedaços de um cristal 
solidão, retalhos de um todo que nunca foi nada, caídos, partidos em mil pedaços que a luz desfragmenta (ou desfragmentam a luz ), 
não sobra nada a não ser cor – ondas em frequências descoordenadas -, cor de mar, cor de mágoa e as ondas que me afogam em gritos de solidão
sem medo, sem dor, sem nada
gritos no escuro
onde outros sentam no trono que foi meu
o lugar vazio
em queda,
gritos na solidão
confusos destinos os que entram em solitários desconhecidos…
não subas! a escada não é tua
não me toques, o abraço não é teu
profetas de morte, mensageiros do inferno
no Hades, ardem os mistérios de outras eras
longe…longe…gritos na solidão!!

Talvez escrever seja uma forma subtil de querer viver para sempre…
Talvez no começo, apenas desejasse segredar a mim própria o que não diria a mais ninguém; jamais.
Talvez, nos entremeios dos julgamentos – sem juiz, sem lei, sem rei nem roque – me tenha apercebido que a vida não se faz de amanhãs que não existem e nunca chegarão – um amanhã será para sempre um amanhã, nunca será um hoje.
Um hoje poderá não ser o tão especial dia em que tudo será diferente; mas é um hoje e é de hojes que se constroem vidas.
Nada está perdido enquanto a capacidade de amar estiver presente, e essa nasce connosco. Por mais enxuvalhada, enlameada, pontapeada que for, nunca será banida do local onde a plantaram, onde nasceu : no coração dos simples.
Força e coragem andam de mãos dadas nas passadeiras e nas bermas da vida; uma vez puxa uma, outra vez outra,  ambas levar-nos-ão pelos caminhos da eternidade, enquanto alguém se lembrar do BEM que fizemos.









Por falar em eternidades, dizem que é Natal
Sabiam?
Desejem uns aos outros amor e felicidade: abracem-se, deixem-nos saber que é Natal
Perdoem-se: de mal passado não se faz um presente – sem presentes não há futuros


Para todos um abraço que abarca o mundo