Conta-me histórias

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– Conta-me histórias…
E tu contaste. Histórias tristes, histórias falsas como todas as histórias que trazem consigo o pouco não do que foi, mas daquilo que achamos que é.
– As tuas histórias são feias, tristes, deixam-me embrenhada em problemas matemáticos e trigonometrias impossíveis de resolver.
-foste tu que me pediste as histórias..
– Não estas, queria outras, queria histórias daquelas de deixar água na boca, histórias de voar em cavalos alados. O que eu queria era reinventar todas as histórias com um fim triste, acordar as esperanças que adormecem já, há demasiado tempo nos braços dos anjos negros, que por caidos, esqueceram o número da porta da morada da felicidade.
– pediste me para te contar histórias, eu contei. Histórias de comédias em que ninguém riu sem ser eu, histórias de terror em que só alguém entrou em pânico, histórias em que a realidade é rainha, tal como na vida.
-Não me contes mais histórias, não gosto delas. Prefiro contá-las eu, como as quis, como as sonhei um dia. Histórias não passam disso mesmo e quando as misturamos com condimentos que não pertencem ao mundo das histórias, querendo cozinhar algo daí, envenenamos toda a possibilidade de sobrevivência, tal e qual um belo repasto de cogumelos, aparentemente inofencivos.
– e o que é que os cogumelos têm a ver com isto ?
– nada, mas assim percebes que há coisas que nunca deviam ser misturadas, por serem absurdamente ilógicas…