Eles comem tudo…

Acordamos de manhã, cedo, porque eles nos mandam trabalhar…mais e mais…é necessário pagar, pagar para ter, pagar para receber, pagar para viver. É o imposto sem criação, basta pagar para existir uma nação

Eles mudam de intenções, de cores, de razões, mudam de rostos e de desgostos…e nós pagamos os nossos impostos.

E vão e vêm e a gente aguenta com as forças que nos sustêm

O dia começa e o dia acaba, mas há uma coisa que não se paga, a vontade de manter a cabeça em cima da água.

Eles comem tudo, mas não me levam nada…

Quem esteja bem

Tudo se usa
tudo se abusa
tudo se gasta
tudo desgasta

E foi um tudo (ou nada) do nada que as mãos abertas nunca tocaram…
Que eu fique bem, mesmo que o tudo fique pelo nada que o nevoeiro contém
Mesmo que os dias se encham do nada que resta das sobras do tudo, que eu fique ( o bem brota da pedra fria, da terra quente, dos recônditos lugares onde ninguém vai) ou que eu vá, onde quer que esteja,  que esteja em paz, longe do desgaste que causa o constante desacreditar no ( não) querer do um outro alguém…

O palco do tempo

Foi neste espaço que encontrei esta música maravilhosa que não conhecia

O palco do tempo. Desfilam com as suas roupas – plumas já gastas, misturadas com maquilhagens mortiças, consumidas pelas horas passadas à luz – tentando em vão captar a atenção de um público, que em júbilo, nada assiste ao que se passa.
O público entra no palco e ensaia a sua própria peça, sem roupa: que a roupa insiste em marcas que não existem, que não definem, que não têm valor.
Cá em baixo assistem ao trocar dos papéis, impotentes, perdidas nas suas falas ensaiadas, insistindo em prender na mão um tempo que se esgotou noutras falas.
 É delas a liberdade de se livrarem das personagens que não incorporam, vestindo outras roupas, outras falas, outros papéis. O público já não é  público, são elas, jogando o tempo fora -que assim se prende a elas- tornando-se seu, e em dois se formam um: tempo e mente, em mente de viver o tempo.

É o palco do tempo
Sem tempo a mais
São voltas ás voltas
Por querer sempre mais

É um verso atrás
Um degrau que não viu
São curvas as rectas
Num final não vazio

É o palco do tempo
Sobre o tempo a mais
São voltas à espera
Que não vivendo mais