palavras

Aquários da escrita ( até ao fim dos mundos)

http://www.youtube.com/watch?v=IMEx4dSdxwI&feature=youtube_gdata_player

-Escrever, o processo, implica que me estejam constantemente a chamar.
-Faz como eu não escrevas,
diz. Devagar as palavras saem
as certas, as necessárias,
que o superfulo deve ser eliminado, na lógica da economia. Um processo,
como qualquer outra coisa
só chama quem lá está para ouvir.
– Enganas-te, demasiadas vezes, escrevendo, chamei quem não queria presença.
– Explica-te melhor, não te entendo.
– Nem tu, nem a maioria das pessoas…repara que escrevendo, chamas a ti os que conheces, os que imaginas, os que crias, os que foram os que não foram os que serão e os que não serão. São, se reparares, uma multidão.
– E o que fazes tu a tanta gente?
– Como te disse, estão constantemente a chamar-me enquanto escrevo. Falar não adianta, já que não existem a não ser nas minhas linhas. São como peixes num enorme aquário. Nadam para cá e para lá, borbulhando palavras, chamando a minha atenção para situações que crio ou criei ou poderei criar.
– E sentem os teus peixes?
– Sentem-se com o mundo que lhes dou.
– Como as pessoas, que se sentem com o que lhes fazemos ou com o que lhes dizemos.
– Sim, se o vês assim… a minha escrita é um laboratório de experiências sentimentais, fechado entre as paredes de um aquário onde os meus personagens peixes me fazem viver e sentir , nadando entre as ilusões criadas por metáforas da existência de todos nós.
– És de facto estranha…
– Sou mulher, e como todas as mulheres não me encerro numa única dimensão. Redimensiono mundos à medida do sentimento, economizando recursos, nos processos que me permitem percepcionar o que foi, o que quero e o que será.
– E os peixes?
– Os peixes…os peixes são como as pessoas, abrem e fecham a boca para viver e sentem-se sempre que o ambiente se altera…

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