O meu mundo fantástico

Construí um castelo nas nuvens e fiquei presa no interior.
Sonhei de dia e de noite com um principe, no seu cavalo alado que me viesse salvar. Esperei, esperei e desesperei…Foi um dragão que me encontrou, cuspindo línguas de fogo que me queimavam a pele frágil, sujeita às penitências de uma prisão. Escondi-me dentro de todos os buracos na pedra, para que não desse pela minha presença, pelo meu cheiro, pelo meu frágil existir.
Desistiu, não me achando.
Uma a uma fiz cair todas as pedras do castelo. A nossa mente cria as nossas próprias prisões quando galga muito acima do sonho praticável.
Gosto da minha cabana. Da janela vejo o mar. Não que ele exista, mas porque simplesmente quero que ali esteja, e a força do querer contrabalança como um fiel aliado a fragilidade do sonho.
Gosto da minha cabana, onde me deito a ler um livro, feito de histórias bonitas, só porque o bonito passou a fazer parte de todas as horas que o meu dia me oferece.
Nunca mais quis um castelo, nem um príncipe nem um sonho que não esteja impregnado de força de querer. Porque não gosto de dragões. Porque as criaturas fantásticas serão sempre imprevisíveis…