Nas asas do anjo que eu sou

Quando era pequena julgava levar para onde fosse um pequeno anjo que me segredava ao ouvido, ou soprava no vento, ou ate fazia acontecer o inesperado para me abrir as portas por onde havia de seguir. Transformei o meu anjo da guarda na minha companhia absoluta , omnipresente…
Hoje o meu anjo sou eu. Tento ler nas entrelinhas do tempo as pistas que o destino quer que siga, nesta gincana de etapas, que é a vida. Escolhi fazê-lo de forma diferente, porque gosto de ser diferente e não me importo de voltar à esquerda quando toda a gente aponta para a direita como local de culto. O meu culto é a minha intuição, o meu pequeno anjo, que ainda me vai servindo de guia, tomando como tradutor exclusivo o poder que me dá o que guardo dentro do peito: um coração vivo pulsante, saltitante e que anseia voar como se fosse nas asas de um anjo…

“Ninguém pode salvar ninguém. Temos de nos salvar a nós próprios.”

Hermann Melville