Os nossos pequenos anjos

Foi uma noite especial, diferente. No meio da multidão senti-me presente. Preenchida por um movimento que me acolhe, no vontade de fazer mais. Fazes-me falta! Quero a tua voz no meu ouvido, o teu conselho, sempre, amigo. Quero que me acalmes o fogo que a paixão pelo movimento me traz. É em ti que procuro, é em ti que me seguro.
E quando o silêncio se faz, no meio da multidão, és tu que preenches todos os espaços da minha atenção…
E mesmo que às vezes me pareça que eu não estou à altura das alturas, és tu que me seguras na certeza que serei eternamente o pequeno anjo dos teus olhos.  pequeno anjo …

Fragilidades

Lembro-me de ti, de cada vez que o meu mundo pára para respirar. Os dias correm, com a agitação da minha vida, que continua com as suas subtilezas , tristezas e alegrias. A vida continua , mas eu lembro-me ti.
Lembro-me num sorriso que passa noutro rosto, nuns óculos, que passam embelezando uns outros olhos, mas onde eu vejo e quero ver os teus. Lembro-me de ti num gesto perdido no meio da multidão, mas que podia ser teu.
São os teus gestos que melhor me restam na memória. Sinto-te ainda dentro das minhas memórias, tal como éramos antes. Antes da distância. Antes das palavras que não dissemos se transformarem em granadas que impediram no meu coração uma acelerada corrida contra o tempo.
Lembro-me de tudo, das tuas tentativas para voltar, dos meus erros. Errar e saber, agora, que se errou, dói mais que a distância que me ensinei a suportar vendo-te, por todo o lado: nas ruas, nas avenidas, nos espaços meus,

que só quero preencher contigo. E do fogo com que apaguei a solidão, resta um rastilho, um pequeno rastilho  porque sei, agora, que me queres e virás ensinar, de novo, o que será um amor…

Questões

É assim que me sinto realmente bem. Se gostava de ser outra pessoa. Foi o que sempre quis. Mas isso é negar-me. Negar-me foi a minha perseguição continua. temos que assumir o que somos. Eu sou assim. Sem mais, o resto serve apenas para agradar, porque merecem agrados, pessoas especiais, porque não gosto de desiludir quem aposta em mim.
Mas é assim que eu sou. Uma sombra aos olhos do mundo, procurando sempre a luz, mas cega na sua presença. Estou no limbo da existência entre o ser e o sentir. Tudo o mais é feito em esforço. Serei diferente um dia? chegarei ao que sonhei ser? far-me -á bem? tantas perguntas . nenhuma resposta. mas não há respostas para tudo e nem tudo se pergunta…

Não me lembro…

Não me lembro, tenho na memória o cansaço das noites em claro, decifrando as letras que nos traziam perto, julgava…
Não me lembro, trago no corpo o frio das noites, em que o calor que senti era a febre, da doença que me ocupou o espaço que ficou em vazio.
E o tempo foi ocupando o silêncio, a areia foi caindo, enchendo a ampulheta da vida de um novo deserto a atravessar, guiada, pelas estrelas na noite, que teimam em querer fazer-me chegar para lá da aridez do caminho.