Não me lembro…

Não me lembro, tenho na memória o cansaço das noites em claro, decifrando as letras que nos traziam perto, julgava…
Não me lembro, trago no corpo o frio das noites, em que o calor que senti era a febre, da doença que me ocupou o espaço que ficou em vazio.
E o tempo foi ocupando o silêncio, a areia foi caindo, enchendo a ampulheta da vida de um novo deserto a atravessar, guiada, pelas estrelas na noite, que teimam em querer fazer-me chegar para lá da aridez do caminho.