Perdida

Eu não sei o que quero.
Sei que não quero repetir enganos. Não quero abrir cicatrizes. Não quero sangrar outra vez. Falta me sangue nas veias. Falta-me o calor do corpo (Sou de sangue frio). Gelo por dentro. Estou sozinha. Tão sozinha que me doem as cicatrizes e os ossos rangem ao movimento. Foi-se a vontade de caminhar. De falar. De sentir. Resto-me de momentos que me bastam, como se me preenchesse de pequenos nadas. Não me apetece fazer mais nada. Já nem sei o que quero, o que sou, o que consigo.