Rosa do teu jardim

Chamas-me rosa. Sei que sou, cheia de espinhos, que te fazem sangrar de cada vez que me tentas apanhar. É a beleza que me espanta: a beleza que vês, apesar dos espinhos e que descreves de uma forma… que me parece que falas de outra flor, que não a que esta alma habita. As palavras ficam, na garganta, retidas pela incredulidade que traz a noção de que me vês como parte do teu jardim, que queres trazer para a rua, na mão, na boca, como se dançássemos um tango com a música que só o nosso coração consegue ouvir. E espantas-me, de cada vez que me imagino, Rosa, regada e viçosa, na tua mão, como se o sonho de Primavera que persegui, brotasse do chão, da terra fértil, que foi a tua vontade.