De árvore a pedra

Riscos e rabiscos no ar, feitos na solidão de um movimento sem caminho onde possa haver expansão. Sem direção o vento sopra, para lado nenhum e não se sabe onde poderá ir. Se me tornar mais forte viro pedra, rocha dura, onde tudo embate e nada entra. Aí não haverá vento que sopre que me faça voar e permanecerei, inerte. Sem nada e com tudo para não voltar a enrolar-me nas voltas soltas que os pontapés alheios podem trazer. Por enquanto mantenho-me árvore, de folhas ao vento, caindo uma a uma, para fazer de tapete a quem passa. Presa às raizes, cresço lentamente , em silêncio, dando voz ao vento que passa. Talvez depois de morta se realize o desejo, de não voltar a mexer-me mais…

Recomeços…

Os recomeços eram o seu calcanhar de Aquiles. Como se coxeasse de cada vez que a vida lhe propunha um novo recomeço. Cansava-a a novidade constante, a superficialidade da conquista. Há vários meses que continuava sozinha, cada vez mais convencida que, de certa forma, seria difícil encontrar alguém que a entendesse.Os por de sol e as tardes de calor, a lareira em noites de vento frio, é um tipo de linguagem que parece ter entrado em desuso em prol dos concursos de televisão e das longas horas de redes sociais. Do longe se faz perto, hoje, mas de qualquer das maneiras parecia-lhe que a sua companhia ( aquela por quem esperara até aí) estava cada vez mais longe. Ou então era só ela que se habituara de tal forma à sua conversa que as dos outros a feria, não conseguindo penetrar nas intenções sociais dos que a envolviam.
Nessa noite decidira sair. Não saía há uns 3 meses. Olhou-se ao espelho, dúzias de vezes ( que lhe pareceram sempre poucas e nunca suficientemente satisfatórias, as respostas do espelho) até desistir e sair mesmo porta fora. Fora a primeira vez que ele a convidara para sair e estava um pouco excitada (entusiasmada até) com a proposta. Ficara de esperar por ele no bar. Era perto, podia muito bem caminhar até lá e além disso, o frio da noite acalmar-lhe -ia os ânimos. Já se sabia bem demais, optou por esta hipótese para que se tremesse pudesse culpar o frio…

Do you believe in Magic?

Se eu te disser que em cada frasquinho destes pus um pouco de mim, o que é que me dirias?
No minimo, que me falta algum alqueire de medida encefálica ou que, as purpurinas se diluiram nos excessos de liquidos da  juventude.
Mas pus. E não existe lá nem um pouco de secreção purulenta, só uma liquida mania de transformar tudo em palavras, como se fosse possivel colorir a chuva se se colocasse nas nuvens um pouco de corante da cor que nos apetecesse ver chover.
Como da vez em que escreveste um livro?
Muito melhor! Porque dessa vez as cores fundiam-se umas nas outras e o fundo não deixava passar a luz que devia incidir nas frases e o resultado é que não fazia grande vista para quem quisesse ler.
Desculpa?
eheh! Acreditas em magia?
Então anda daí, vamos ver o que pode acontecer…