Recomeços…

Os recomeços eram o seu calcanhar de Aquiles. Como se coxeasse de cada vez que a vida lhe propunha um novo recomeço. Cansava-a a novidade constante, a superficialidade da conquista. Há vários meses que continuava sozinha, cada vez mais convencida que, de certa forma, seria difícil encontrar alguém que a entendesse.Os por de sol e as tardes de calor, a lareira em noites de vento frio, é um tipo de linguagem que parece ter entrado em desuso em prol dos concursos de televisão e das longas horas de redes sociais. Do longe se faz perto, hoje, mas de qualquer das maneiras parecia-lhe que a sua companhia ( aquela por quem esperara até aí) estava cada vez mais longe. Ou então era só ela que se habituara de tal forma à sua conversa que as dos outros a feria, não conseguindo penetrar nas intenções sociais dos que a envolviam.
Nessa noite decidira sair. Não saía há uns 3 meses. Olhou-se ao espelho, dúzias de vezes ( que lhe pareceram sempre poucas e nunca suficientemente satisfatórias, as respostas do espelho) até desistir e sair mesmo porta fora. Fora a primeira vez que ele a convidara para sair e estava um pouco excitada (entusiasmada até) com a proposta. Ficara de esperar por ele no bar. Era perto, podia muito bem caminhar até lá e além disso, o frio da noite acalmar-lhe -ia os ânimos. Já se sabia bem demais, optou por esta hipótese para que se tremesse pudesse culpar o frio…