De árvore a pedra

Riscos e rabiscos no ar, feitos na solidão de um movimento sem caminho onde possa haver expansão. Sem direção o vento sopra, para lado nenhum e não se sabe onde poderá ir. Se me tornar mais forte viro pedra, rocha dura, onde tudo embate e nada entra. Aí não haverá vento que sopre que me faça voar e permanecerei, inerte. Sem nada e com tudo para não voltar a enrolar-me nas voltas soltas que os pontapés alheios podem trazer. Por enquanto mantenho-me árvore, de folhas ao vento, caindo uma a uma, para fazer de tapete a quem passa. Presa às raizes, cresço lentamente , em silêncio, dando voz ao vento que passa. Talvez depois de morta se realize o desejo, de não voltar a mexer-me mais…