Planos

Diz a tradição que por esta altura devem fazer-se as resoluções de ano novo.Este ano, não tenho resoluções, para não cair no dejá vu de não cumprir quase nenhuma. Tenho Planos! Vou “apegar” os sonhos aos planos para que haja a força e resiliência necessárias para continuar. Augura-se um ano difícil,  mas, não terão sido difíceis os anos que temos passado ultimamente? A esperança é o combustível da vida e , por enquanto, ainda não tem nenhum imposto que lhe acrescente o custo, sendo que não custa nada esperar: esperar um ano novo com alegria, sonhos, planos e vontade de os realizar; esperar que o novo ano nos traga novas experiências que nos influenciem positivamente e nos abram novos caminhos onde possamos ir mais longe; esperar que no fim do próximo ano nos sintamos ainda com muita vontade de ir mais além. E esperando que a tarde e a noite sejam calmas, aqui onde a dor vem fazer o seu ninho, espero também que o ano novo vos traga  a saúde e a paz que é essencial à vida… Até para o ano!

A queda

Embelezar o que nos vai por dentro e trazê-lo cá para fora para que se transforme em música que ajude outros a dançar, nem sempre é fácil ( descomplicar o que nos é dificil aceitar, nunca será fácil!). Pensando assim sorria. Batia de frente com as pedras do caminho, provocando mazelas, que não se vendo, era fácil fingir que não existiam. Um dia, pensando ter apenas mais uma pedra no caminho, não viu o buraco. A queda foi vertiginosa. Não via nada, apenas o som do eco da sua própria voz misturado com a sensação de falta de chão enquanto algumas superficies duras lhe feriam o corpo na descida.  Estranhamente o chão que lhe aparou a queda não era duro. Pelo contrário, pelo toque podia distinguir a maciez , talvez fosse areia (?) não! seria algodão (?) Talvez a queda não fosse a descer mas a subir e estivesse nas nuvens… não via nada, confiava apenas nos sentidos e na imaginação, mas a sensação era prazeirosa. Ao longe, o som da música parecia dizer-lhe para onde seguir. Esqueceu-se do que havia antes da queda. Esqueceu-se de tudo. A vida passou a ser apenas a busca pela luz que lhe permitisse perceber onde se encontrava. Talvez, aqui, também o porquê fosse importante, mas para quê um porquê se já ali estava ? No momento em que a música parou, deixou de ter ponto de referência…sentou-se. O chão continuou macio, fofo, acolhedor, mas até isso pareceu esquecer-se, deixou de fazer sentido. Chamaram ao buraco a grande depressão. Eram contas que não lhe passavam pela cabeça, a descontar naquele chão que parecia não querer deixar que se afundasse mais. Mas a luz não vinha… Um dia, decidiu não esperar mais. Levantou-se e reunindo as poucas forças que ainda pareciam restar, pôs os pés ao caminho. Acordou com os primeiros raios de sol da manhã a entrarem pelas frinchas da janela e sentiu saudades! Estava cansada… a sensação macia que que lhe recordava o seu chão chegou-se ao seu corpo. Não estava sozinha, nunca esteve. Há tanta coisa que os olhos não conseguem ver…mas descomplicar o que nos é dificil aceitar, nem sempre é fácil!

Palavras

Palavras. Qualquer uma, muitas, nenhuma até, se isso chegar para descrever o que é. Mas é o silêncio que eu ouço. O coração pula, pára e arranca querendo sincopar em desuníssono. ( posso dizer uma asneira?) irra que me dói o silêncio, mas pesam-me ainda mais as palavras que não dizem nada do que espero ouvir.

Entro, por um corredor onde parece que me chamam a cada leito, como se um caudal de água poluída corresse continuamente. Em desespero, ausento-me do que é, para vender a esperança do que poderá vir a ser, e olhando para o futuro, levo pela mão enxurradas de desconhecidos que me abrem os braços tendo-me como porto de abrigo… ( vá lá deixa-me dizer uma asneira, uma só…) irra que já não aguento mais… e o coração continua a sincopar em desuníssono! O Outono, tomou de novo o lugar da Primavera. Depois da partida, a chegada. Este lugar é-me desconhecido e não conheço ninguém, nem te distingo dos demais ( é agora! se não páras para pensar digo uma asneira alto e bom som)…

Já disse!

Nada mudou. O caudal de água continua a correr, lavando a dor e a mágoa de quem se estende no seu leito. As palavras não mudaram o sentido dos ponteiros do relógio. O choro das crianças e dos adultos não afugenta o medo da escuridão. Não descrevo melhor o que não sei dizer o que é.  As turbulências dos azares da vida rebolam-me no pensamento ( e as asneiras não ajudaram nada, viste? ) …mesmo assim cá estamos, de costas voltadas, como os marretas a assistir a uma comédia de bonecos, soprando para o ar escárnios, pedindo que se transformem em palavras de amor que nos juntem num novo abraço ( sabes? já tenho visto melhores coisas escritas por e para mim…mas ultimamente parece que se esgotaram as palavras de amor, com os lamentos) . Adormeço-me num leito igual a tantos outros. Até as palavras me doem agora…os gestos de quem dá sem pedir em troca esgotaram-se no tempo, ainda antes de vir a crise. O corredor de gente que parece não querer parar de chegar, um eu que parece não querer parar de ir, os dias a esgotarem o calendário de mais um ano,

e as palavras, essas que todas juntas, tantas vezes, fazem tantos estragos…

…agora, o Natal já não é na “sala grande”, as avós já cá não estão…a família cresceu, multiplicou-se, distribuiu-se por outras casas, dividiu-se , voltou às origens, e agregou novas famílias. O Natal é bem diferente, mas nem por isso pior. Hoje somos muitos, de famílias diferentes, mas já fazemos tradição e até o Brasil se junta a esta enorme festa que une famílias fazendo uma família alargada e maravilhada por se voltar a juntar de novo!