Ruídos

Subiam a rua demoradamente, lado a lado, em silêncio. A mão dada bastava-lhes assim como a paisagem de fim de tarde de outono que pintava as árvores em cor de fogo a extinguir-se com a passagem do tempo. O ruído veio do fundo primeiro como um leve grito agudo depois a distinguirem-se os tons metálicos dos travões na mistura da borracha em sofrimento ao arranhar o alcatrão. Foi tudo num segundo, ou talvez menos, ou pelo menos assim lhe parecera.
 Aqueles apitos repetitivos cansam-na: tortura,  como o peso daquela imobilidade aparentemente constante. Há vários dias que tentava falar. Sempre que o fazia eram apenas os ecos dos apitos e um estranho perder da memória, o que conseguia.

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