Numa vida

Quanto às outras pessoas não sei. Eu gosto de me deitar sobre as minhas recordações e através delas revisitar momentos que ficaram guardados dentro da minha memória e que nunca sequer vivi…
Naquele tempo ( adoro esta expressão bíblica porque me transpõe para momentos há muito perdidos no tempo), gostava de pensar que bastaria abraçar-te para que tudo ficasse como sempre quis. Que ingénua me parece agora a esperança vã de uma amante sem tempo para amar. Fechava os olhos e via-te chegar, sorridente. Com aquele brilho malicioso nos olhos que te caracteriza, despias-me de uma só vez antes sequer de me tocar. Naquele tempo gostava de ficar perdida, a imaginar o que irias fazer a seguir. Qualquer movimento teu daria um indicio de onde poderíamos chegar sem sequer nos tocarmos. Naquele tempo, era o sonho e  o sentimento que comandava a razão e nem havia razão para acreditar que não seria igual em ti o ar que nos faltava para falar, quando havia tanta coisa melhor para se fazer com os segundos que nos pareciam eternidades breves. O coração em alvoroço tomava a voz e os comandos dos corpos que se tocavam sem culpa. Naquele tempo…
Hoje o corpo perdeu o uso e de nada me servem as lembranças de uma paixão que transbordou o copo da paixão para além dos Invernos da vida.  Passou a hora e o abraço não veio. Espero por ti ainda, tal como dantes, com a porta do coração aberta, à espera que o frio da morte se vá e o corpo reencarne em nós o fogo da paixão…

“Dizem que leva um minuto para conhecer uma pessoa especial,
Uma hora para apreciá-la,
Uma vida para amá-la.
Existem muitas formas de dizer…eu quero-te bem!!! hoje digo-te simplesmente…eu quero-te bem!!!”
(autor desconhecido)
 O que quis sempre foi o abraço, o teu abraço…
e uma vida não chegaria para preencher com palavras o que senti perto de ti

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