Memórias

Essa Entente

Há músicas que nos ficam na memória. Mesmo que passem anos sem as ouvirmos, de facto, elas mantêm-se connosco e, de vez em quando, voltam a ocupar-nos o presente, transformando-se numa verdade real que se ouve apenas na nossa cabeça. Muitas vezes já nem as letras saem certeiras, troca-se uma palavra aqui, ou ali, perde.se um sentido mais à frente ou mais atrás, trocam-se estrofes, trazendo para a frente coisas que seriam mais atrás e afastando as primeiras palavras para locais aparentemente perdidos no meio das canções. Mas o importante fica sempre: a melodia, o que nos ficou como o mais relevante e sobretudo os momentos que colamos aos sons e aos tempos em que compartilhámos as músicas com aqueles que não esquecemos…

Tão perto daquela antiga avenida
Passeiam as moças da noite
Que hão-de chamar ao meio das pernas
Os olhares que passam

Uma quer levar-me mas eu não vou ficar

Apenas vou sorrir, passar

Desço ao cais onde o brilho da ponte

Ilumina um bar tão vazio
Mas sei que tão cheio vai ficar
Por mil tragos, avancem

Uns para o meu lado, outros para a frente

Vamos lá rapazes por mil tragos cantar

Eram já três, venham mais duas

As damas ao meio p´ra dança nua
E uma volta a entornar, e outra voz a cantar
Trocam-se os passos no ar, esperem ainda que…

Eram já três, venham mais duas

As damas ao meio p´ra dança nua
E uma volta a entornar, e outra voz a cantar
Trocam-se os passos no ar, esperem ainda que…

Olhos inchados, descanso no cais

À beira de um barco esquecido
Que tal como eu já foi tão forte
Mas feliz só esta noite

Leva-me contigo, dentro de ti

Para depois voltar ao bar
E por mil tragos cantar

Eram já três, venham mais duas

As damas ao meio p´ra dança nua
E uma volta a entornar, e outra voz a cantar
Trocam-se os passos no ar, esperem ainda que…

Eram já três, venham mais duas

As damas ao meio p´ra dança nua
E uma volta a entornar, e outra voz a cantar
Trocam-se os passos no ar, esperem ainda que…

Eram já três, venham mais duas

As damas ao meio p´ra dança nua
E uma volta a entornar, e outra voz a cantar
Trocam-se os passos no ar, esperem ainda que…


Por vezes a nossa vida é um pouco como a história da Branca de Neve, por muito bem intencionados que fossem os anões, iriam deixar a Branca eternamente adormecida dentro do seu vitral, porque não lhe procuraram a causa do adormecimento…
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