Aquele cujo nome não deve ser pronunciado

Não pronuncio o teu nome. Não porque me cause medo, mas porque é doce demais e pode estragar-se na minha boca.
Não
Não me causa o pânico ficar sem ti. Receio mais ter-te em meus braços e de tanto apertar estragar-te as asas com que me impressionas a voar.
Inconveniente seria tirar-te do teu céu e prender-te na amargura dos meus dias, todos iguais, na insatisfação que me domina e que sabes ter medo de não saciar.
Não pronuncio o teu nome, não porque me seja estranho ou impuro, mas porque não quero tocar-te num fio de cabelo , para que não caia, ferido pelo frio da morte que arrasto nos meus pés como se amaldiçoasse a vida dos que tomo nas minhas mãos.
A distância mantém-te seguro, vestido pela alva capa do teu título que te protege. E assim sem pronunciar o nome despido de prefixos, protejo a calmaria em que aportas, todos os dias, sonhando-me como se fosse a musa dos teus anseios. Ali.mento-me do pão da vida pelas linhas do senhor e agradeço que me mantenhas perto de onde a tua vida corre para que te possa amar, em paralelo, dormindo numa cama de estrelas com o tamanho certo do infinito.

E não, não pronuncio o teu nome para não te afastar para sempre da insegurança que existe em mim.

Bastava que repousares uma vez em meus braços para que te viessem logo roubar de mim, que só uma vez bastou para que fosse de novo assim………..

Nem sempre é fácil descrevermos aqueles de quem mais gostamos. Não porque não saibamos as suas qualidades mas porque conhecemos os seus defeitos que aos nossos olhos nos parecerão sempre menores e sem qualquer importância. meu menino Pi

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