Renascimento

Lembro-me como se fosse hoje. A primeira coisa coisa que vi em ti não se vê. Parece-te estranho? Nada em nós é menos que estranho e entranha-se assim por entre as vagas ondas do éter que nos adormece os sentidos.
Somos unos, como se nem a distâncias das medidas dos Homens nos pudessem separar.
Senti-te antes de te ver. Vi-te e já te gostava, pensava, antes de te ver. E continuei a sentir-te, sempre,  porque estás dentro de mim desde o momento em que partilhámos o mesmo ar, num só espaço.  Partilhamos ainda o mesmo espaço, sem medidas, limites ou horizontes. Mesmo que os corpos se apartem, que os dias aportem na solidão dos portos distantes, a carne não esquece o que a alma sentiu e a física das leis terrestres não serve para nos definir. Fazemos amor com palavras, e o sexo é a união do pensamento num só sonho de milhões de sinapses.
Foi nesse dia que renasci, como se a luz chegasse enfim, depois das trevas…

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