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Talvez seja a leveza do vazio o que procuro incessantemente. Essa leveza que me traz a segurança de me saber sem objectivos.

Um objectivo é um foco de insucesso, um motivo de frustração

Mas afinal, para que servem objectivos? Se é tão melhor flutuar por entre o que acontece e o que vem, sem ter caminho para fazer.

Ninguém vive, hoje. Sem ter objectivos nada se faz. A vida faz.  Sentidos nao parece haver, se não se for possuidor de um ter, um querer.

Tudo o que mais quero é não querer. Porque de ter já perdi tudo. Ainda assim quero, quero a leveza de não querer.

Deito-me no turbilhão de pensamentos que me assola o peito e acordo na agonia do edema, desse peso dos objectivos que supostamente deveria pretender alcançar.  E só isso me faz negar a vontade. Não são então objectivos? Não! São! Prisões,em forma de alegorias de felicidade, que ninguém demonstrou serem verdadeiras.

Danço ao som dos barulhos que fazem os perseguidores de objectivos alheios. Demónios devoradores de vontades.

Exorcito

Sem vontades não há ladrões. Na minha mente a única palavra mágica que me livra desse peso é o não. E danço, por entre todos os meus nãos, que me trouxeram a liberdade de deixar de querer saber.

Roubem tudo, que aqui não haverá mais para haver…