Nas línguas do norte

comission06_by_sayara_s-d54rue3

http://sayara-s.deviantart.com/art/Comission06-310348443
Penso duas vezes. Se calhar até penso mais… tenho receio de mais uma vez te magoar. Estás magro e pálido e triste e uma sombra do que és, do que me és…

podia ter-te dito bem vindo…podia mas não disse

podias ter-me dito pensei em ti todos os dias …mas não disseste

Afugentei os demónios que me consumiam as entranhas e a sanidade e segui em frente. Como podia

tive saudades, pensei em ti, queria-te em casa, em minha casa

Depois foram só sucessões de movimentos que me libertassem da dor. Dos dias sem ti, contigo no pensamento.

sim bloqueie-te e bombardiei-te com todo o tipo de movimentos que te fizessem acordar desse sono zombie onde nos meteste. Morremos os dois. Um para o outro.

As mulheres não têm tipo. Têm o seu tipo de entre outros que escolhem por um sem número de razões, que, se forem como eu, nem sabem bem a razão. Sente-se. Depois é terem sorte ou não.

Utilizas-te. Todas as palavras que me disseste de forma errada, ou não disseste . Escreveste-me tantas outras de forma certa em locais onde não te encontrei. Senti-te. Uma mulher conhece o homem que escolheu mesmo por entre os destroços de uma guerra. Vivo. Morto. Deformado. Mas conhece.

Tive azar. Não me reconheceste no meio dos destroços. Agarrei a primeira mão amiga que me quis puxar e lá fui eu. Buscar o pão que me faltou na mesa pela tua ausência.

E ainda assim continuei, procurei as ruas de todas as cidades. Ouvi todas as pistas. Todas as conversas estranhas, todas as mulheres e homens que diziam ter-te visto. À noite sonhei contigo. Mendiguei o pão por Deus e deitei-me nos lençóis do purgatório procurando os braços com que me deleitei e os beijos com que me consumiam.

Não sou mais nem menos mulher do que era então, só sei mais coisas.

Foi quando percebi que me seguias. Dizendo que me fizessem acordar. Mas eu não quero que me digam. Eu só quero que venhas acabar tudo aquilo que deixamos por fazer. E que me digas tudo aquilo que deixaste de me dizer. Que leves a morte para longe e tragas contigo a vida com que me fizeste vibrar.

E ainda assim pressinto, mesmo sabendo que não sabes distinguir o que estou a ver . A tua invisibilidade afronta-me tal como te afrontei com o beijo roubado para te esquecer e tentei odiar-te por isso. Sem sucesso como tu bem sabes, mas muitos outros não

solta-me o inferno na pele e deixa a loucura arder… vem ensinar-me todas as palavras que sabes nas línguas que falam ao norte