Preenchida de espaços em branco

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Houve um ponto final em qualquer lado

se queres que te diga já nem me lembro onde foi que comecei a  utiliza-lo como pedra que te arremesso para te culpar de todas as minhas fraquezas.

Tenho para mim, que todas as pedras que arremessamos aos outros são aquelas que queríamos atirar por não conseguirmos ser o espelho do que vimos nos outros ou porque o que vimos é exactamente o que não gostamos em nós – em última análise qualquer pedra atirada acaba em cima das nossas costas – ” e de entre vós aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra” ( João 8:7)

Não penses que o nosso ponto final não me doeu tanto como a ti. Talvez mais para a frente tivesses percebido como é difícil perceber a felicidade transmitida nos canais do meu desassossego, felicidade, longe que estavas de mim…e assim talvez a vida nos tenha ensinado tanta coisa que julgavamos saber e não sabíamos. Ambos vivíamos na ilusão de que por fora se constroi uma casa bonita; mas é por dentro que ela importa.

Amar é fazer sempre o melhor por quem se ama. Mas talvez, como para qualquer menino, o melhor é estar com os pais, também para qualquer amor, o melhor é estar perto, de qualquer forma, desde que em concordância.

Eu sei que também te abandonei, propositadamente na incapacidade de ter que dividir o teu amor com outro pequeno que nasce. Não me peças para fazer a outros o que não gosto que me façam a mim ( enterraram me bem fundo em qualquer buraco esta frase e demonstra-se em cheio para nós, embora à primeira vista possa parecer inconviniente, mas não é, bem pelo contrário)

Encontrei-te  algumas vezes e magoei-me cada vez mais, mais tarde pelas mãos de uma amiga comum, mantinhas te sempre jovial e brincalhão, bem falante! E ainda assim não confiei. Foste o meu sul aí, o meu desassossego da planície cansada de torrar ao sol à tua espera.

Acabamos por fazer um ao outro exactamente o que não queríamos e fomos, lentamente, abrindo feridas onde devia haver braços e corpo e suor e tempo consumido em nadas que nos fazem sentir um tudo de alguém e é isso que preenche os espaços vazios. Todos os espaços vazios. Até aqueles que só descobrimos que existiam quando os vemos preenchidos pela primeira vez.

E foi sem dúvida isso que aconteceu comigo, não sei se contigo também… um beijo e um abraço chegou para que  prenchesses todos os espaços vazios que haviam em mim e me fizeram atravessar mares e continentes, percorrer oceanos e céus estrelados para te poder dizer que adoro o carnaval permanente que é viver perto de ti , as máscaras, as encenações, as emoções que retemos em nós até que explodam em qualquer coisa efusiva da minha parte e te façam a ti, partir para parte incerta onde ainda não tenho lugar. Mas quero ter. Não sei, como mas quero ter…

És musa da minha inspiração, a minha melhor canção, és uso, abuso e ilusão, que transformou, sem pedir a mais carinhosa tesão
Com que vivia, apaixonada pelo conto de fadas à espera do príncipe que viria para me fazer vital
Pensa no nosso ponto como um sinal, vital de que concordava com tudo o que me dizias, só não percebi que não era a felicidade que me Querias mostrar, mas que o teu peito estava aberto como o meu e desconhecendo não encontravas as razões para o meu  chorar…

Eu

sei 
Eu sempre soube porque a alma fala alto dentro de mim

Só nunca acreditei no teor da mensagem , era bom demais para ser verdade…

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