No limiar da realidade

Estou numa ponta. Hoje já sei o que significam o choro e o ranger de dentes. Olho para eles, olho para nós e sei, por dentro já sei, quão frágeis podem ser as palavras. A realidade agarra-se à palavras para que se mantenham fiéis ao sonho. As pessoas recusam-se a acordar. Olho para eles e sei: não querem acordar e preferem viver na ilusão de que sabem como fazer, o que se poderá seguir, a certeza que os direitos lhes serão garantidos

 

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Diz-lhes carinho. Diz-lhes como são frágeis as utopias e as palavras, como são frágeis as palavras, como são frágeis os direitos. Diz-lhes carinho!!!

Num dos meus sonhos recorrentes vejo-nos cá em cima. Será uma piscina olimpica? Parece ser. Nós somos aqueles que preenchem a prancha. Somos poucos. A prancha balança : para cima, para baixo. Vamos tentando equilibrar-nos no movimento perpétuo. Lá embaixo estão eles. Gritam, clamam pelos seus direitos, têm direitos! Cá em cima nós, que sabemos da fragilidade dos direitos ( como são tortos os nossos direitos!) estendemos-lhes as mãos abertas com tudo o que sobra, daquilo que sobra do que pensam ser seu. As mãos abertas, estendidas, é tudo o que sobra.

Diz-lhes carinho. Diz-lhes que estão a deixar vender o que é deles e que se voltam contram os que de mãos abertas e mais nada a oferecer do que o que aprenderam, no caminho, vão tentando manter de pé o que resta do sonho…o que resta da liberdade de ser vida…