Dizer o Amor

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Disseste-me que a noite estava estrelada, que havia lua e que haveria de gostar de ver.

Fui ver. Faço quase tudo o que me sugeres, embora discuta, refute, desminta o que me aconselhas, desconfiando de todas as sugestões…

Não sei onde raio fui buscar tanta dúvida. Acredita, não sabia que seria assim. Julguei, na minha inocente inexperiência, que bastaria muito te querer para que fosse tudo correr pelo melhor…

A lua está bonita de facto. Está aquela lua que representa, em todas as imagens, uma lua natural.
Consola-me saber que é esta a mesma lua que observas e que me aconselhas a ver. Consola-me saber, que mesmo que não saiba por onde andas, com quem estás e o que fazes, olhas ou já olhaste a mesma lua que agora estou a ver.

O desconsolo dorme comigo em vez dos teus braços. A imagem das palavras que me deixas preenchem os meus desejos e continuo, a teu pedido, a acreditar no futuro.

É linda a lua que me descreves, assim como é consoladora a vida que sei que me desejas. Consolam-me as palavras, as intenções, a intensidade dos momentos sonhados a dois, como se fossemos um e tivéssemos sempre tido os mesmos desejos sem o sabermos.

Desnorteados, precisamos das traduções abruptas que nos vai dando o destino que sabe de nós mais que nós próprios.

Queria que viesses, queria que estivesses, queria que partisses o pão à minha mesa  e que sorrindo mo desses tornando -me muito mais que tua discípula: tua cúmplice, em todas as acções de graças e também nas das desgraças, pois que do pó viemos e para o pó regressaremos sem nos darmos conta que todas as distâncias se agigantam nos tempos perdidos.

Está de facto linda a lua. Talvez seja uma fonte incessante de inspiração, talvez sejam crises, na ansiedade do já que não chega. Talvez me veja Grega, tapada, deixando soltos apenas os olhos que me cegam, levando-me ao desastre da imaginação. Talvez Deus nos tenha posto frente a frente para que reconheçamos como é difícil amar sem qualquer imposição.

Diz-me que foi incontrolável, que te perdeste, mas não voltes a pedir-me que queira… porque querer-te mais do que isto, querer mais do que partilhar o meu pão, não sei como fazer. Somos a mesma alma, um só coração, a mesma certeza de solidão, na distância imposta pela vida antes e depois de nos reconhecermos. É demasiado investimento de interpretação para o que só a natureza tem explicação….

Abraça-me agora e não digas mais nada, que o resto vem só por si. Esquece a lua, que as estrelas vejo eu sempre que te sinto ao pé de mim….

6 comentários em “Dizer o Amor

    1. Desculpa, respondi-te à pressa, mas estava doida de alegria com o meu filho ( coisas nossas :). ) pediste-me para continuar a fazer poesia, estou a tentar mas ainda não sai naturalmente : aminhaalma.com

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      1. A mim também não sai naturalmente qualquer poema…
        Tenho que me sentar, abrir o PC, uma página no Word e começar a escrever.
        Custa a começar, mas depois da primeira frase, umas palavras puxam as outras.
        Um beijo, minha querida amiga Tita.

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