Ensaio

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Imagino -te fácil ( muitas vezes). Não fácil de ordinário

( não gosto desta palavra, espera, vou tentar outra vez),

não fácil de comum, corriqueiro, engraçadinho de piada que se traz debaixo do braço e que se lança na esperança que num aquário com tantos peixes, alguma há-de morder o isco.( Ainda agora comecei e já me está a correr mal a comparação) Dizia eu:

Imagino-te fácil, de sorriso no lábios e com a luz nos olhos que te caracteriza e que me ilumina os pensamentos, como se uma vontade cega me dissesse constantemente – anda, anda, chega-te aqui ao pé de mim…

Sou como os erros de escrita, muitas vezes lêmo-los, sabemos que algo não está bem naquela palavra mas nem sempre conseguimos definir o quê…és como os erros de escrita para mim. Depois um dia, passamos de novo os olhos pela mesma palavra e o erro esteve sempre lá e sabemos exactamente qual é e onde é que se trocou tudo, e como de facto aquela palavra apesar do erro se lê afinal tão bem, sem lhe alterar nada do que se pretendia dizer…

Um dia ainda me chego de vez, com a vontade que me caracteriza, e com as pernas de flamingo,de ave que parece não voar mas voa e se equilibra numa só perna para ser feliz, dançamos um tango só nosso que acaba comigo em posição de sevilhana a cantar o fado só para ti, sem castanholas, que prefiro o toque de outros instrumentos mais melodiosos. Sim ainda quero cantar-te o fado ao ouvido e ouvir-te dizer: por favor, não gripes! com o sorriso maroto como quem me diz: canta! canta outro só para mim.

Quero usar as palavras que sempre existiram no dicionário mas que contigo têm significados doces, apetitosos e que  me saciam da  necessidade de te dizer o quanto gosto dos sentidos que dás à minha vida, das vontades que imprimes ao meu dia, como se nada mais fosse importante, no meio de tanta coisa que me ocorre e que me acorre, senão tu.

Sinto-me cheia, completa de mim e de ti sempre que passas e te demoras em mim, Saciado, que o pouco que tive me faz saber a mundo infinito as voltas que damos sem nunca nos desviarmos do sitio onde começamos sempre outra vez. É sempre a mesma vontade o mesmo desejo que se repita até ao infinito o filme familiar que nos passa pela cabeça, de cada vez que as palavras, malandra, se juntam para que na nossa língua nos consigamos entender. Era isto, de tudo o que mais queria que soubesse…que repetiria tudo outra vez…

Olho para ti, dormes. Não ouviste nada do que te disse e ainda assim sinto-me tranquila por o ter dito. Lá fora chove Sonhas qualquer coisa, que te ouço falar na língua dos sonhos, que ninguém entende. Se calhar respondes-me. Aguardo pacientemente para que acordes e me respondas. Com esta idade já não devia acreditar no poder da magia como forma de fazer acontecer seja o que for mas ainda assim acredito. Vou vestir este vestido de fé inabalável no destino, até que a voz me doa e só então poderei de novo suspirar em paz sabendo que valeu a pena acreditar. Um dia, ainda te vou dizer exactamente tudo o que sinto cada vez que, mesmo que estejas dormindo, ficas junto de mim.

Ana Lee

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               love for tea time

Qualquer hora poderia ser hora do chá. Bastava que a vontade lhe batesse à porta como se as papilas lhe pedissem um líquido com sabor a natureza.
Quente ou frio. Dependia sempre da altura em que se repetiria o ritual, nas folhas do calendário. Não era a hora que lhe determinaria a temperatura.
Na verdade, esqueci-me grotescamente para que horas teria sido combinado o chá, desta vez ( diz-se que quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto, mas não me deve ter ficado no ouvido esta parte da historia) .Lembro-me perfeitamente que era suposto estar frio ( o chá).  Esperara em vão pela companhia , que não chegou. Bebeu o chá em tragos lentos, para que lhe ficasse guardado na memória o sabor. Não seria para esquecer. Na verdade a companhia, presente ou não, pouco lhe importava, era o sabor e a sua memória que lhe interessava, muito mais do que o resto. 
A cerimónia do chá era querida pelo ritual em si, pela beleza que emana da mesa posta, das iguarias, das possíveis conversas que podiam acompanhar todo o momento. Mas conversas pressupõe companhia e por isso mentia. Era-lhe importante a companhia, mas isso jamais sairia da sua boca de forma explicita e consciente.
Conta quem me contou, que foi por isso que começou as longas conversas de solidão. Fala, no seu momento de chá, como se trocasse culturas, saberes e prazeres com o imaginário, que se lhe tornou bem mais querido do que qualquer presença real. Quente ou frio, pouco importa ( falamos do chá, sempre, e nunca do tempo que se faz, lá fora) depende da altura do calendário e das papilas, que ainda lhe comandam as escolhas na hora do chá.

Nem sempre o que nos dizem interessa. Interessa sempre muito mais o que fazemos com o que nos dizem, porque é na interpretação do que sentimos que se mantém o acento tónico da nossa realidade. ( e todas as historias deveriam ter, sempre, algo suficientemente importante, para nos fazer pensar) .

GNR – Ana Lee: http://youtu.be/fBEmzEWiyLU

I Love my angel

http://www.deviantart.com/art/I-love-you-my-angel-439235549

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Sonho que no tempo em que formos duros e resistentes seremos brindados com as mesmas cores metalicas. Dançaremos, rangendo as impercisões que o tempo e o orgulho operou em nós

Cada um tem o que merece e foi para isto que trabalhamos incansávalmente hora após hora e dia apos dia, meses, anos. Reforçamos distâncias com protecções quimicas que nos alteram as reações. Ficámos fortes sem dúvida, rigidos, mas não nos tocamos jamais Continuar lendo “I Love my angel”

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http://www.deviantart.com/art/Thermal-Springs-383918278

 

Hoje, só, apeteceu-me pensar..

Há os nomes que nada dizem sobre o que é o quê.

Neste meu mundo sou um dragão voador com a mesma tenacidade que uma libélula e a mesma capacidade de resistência. Iludem-se as mentiras com as verdades e as verdades com as mentiras e ainda assim nos julgamos capazes de com esponjas , absorver a lama que se deposita no fundo das lagoas que criamos com as nossas emoções. Estagnou-se tudo, e ainda assim no lodo voam criaturas que me despertam a atenção eu penso…

sou um dragão voador com asas que de tão frágeis é inacreditável que ainda consigam voar…