Resistente

 

butterfly

 

Talvez não resista a tudo. Talvez. Ainda assim, prefiro a meabilidade da manteiga, que me permite um céu, das cores que o quiser pintar ,do que a rudeza e resistência dos cascos que se afincam no chão duro.

Tenho cascos também, caminho sim, por entre o pó, ” do pó vieste, ao pó retornarás” , onde os caminhos se cruzam e as pedras permitem distinguir-se entre si, as diferenças entre as escolhas, entre este ou aquele sentido. Aguento firme as covas que a chuva desenha  na imensidão dos campos que se abrem ao horizonte.

Mas ainda assim, são estas  as asas, de manteiga moldadas, que amparam as quedas e me permitem voar, andar mais rápido, chegar mais longe, ver coisas do ponto da vista (diferente?) de quem olha de perto de um céu que me permito saber onde será.

Talvez não resista a tudo ( não, estou certa que não resistirei a tudo). Mas não me iludi , resguardada na resistência de uns cascos fortes, que me prendem ao chão.

 

Ontem pintei o céu azul. As nuvens brancas. O chão de verde. Ainda assim na igualdade do que já foi visto, foi tudo diferente. Hoje as águas reflectiam as cores das minhas asas, num rosa e amarelo que chocam pela vibração. Mas vibro, vibra a energia que ganha vida em cada sonho que renasce, em cada rosto que se reabre, em cada abraço que a minha natureza encontra ainda, nas razões porque o destino me fez, assim, de manteiga de retida…