Resistências

Parece-me sempre que repito a mesma coisa 1 milhão de vezes mas esta é, de facto, a melhor altura dos meus anos.
A transferência da casa, como se fôssemos caracóis, para junto do praia, é como se a brisa marinha nos entrasse na vida e reajustasse as trouxas. É um ar que nos dão.
Aqui os pássaros ainda cantam para que os consigamos ouvir, as ondas mantêm o seu ritmo durante as 24h e dão-nos a certeza de que, melhor ou pior, o Verão será sempre Verão e a água salgada irá lavar e refrescar o corpo, para se aguentar, com toda a boa energia que conseguirmos acumular daqui, tudo o que outro ano nos poderá trazer.
É este o principio. A certeza que a esperança dos dias grandes, ainda cabe dentro de tudo o que quisermos fazer.

A natureza das coisas

Ainda à pouco sentei-me para uma pausa para o cigarro lá fora e assisti sem querer ( bom, não assisti verdadeiramente porque quando me apercebi do que ia acontecer virei a cara para o lado, às vezes a crueldade da natureza ainda me choca). Um pequeno gafanhoto tinha caído numa teia de aranha e tentava libertar-se – foi o ruido que me chamou a atenção entre os pensamentos – entretanto, a pequena aranha já lá vinha pronta para terminar o serviço que a teia montada já tinha feito. Agora voltei a sair para mais uma pequena pausa e o pobre gafanhoto, já jazia, imóvel junto ao buraco onde a aranha se esconde…
Toda a gente sabe que ando cansada, que ando mesmo nos limites da sanidade ( lá me vou aguentando) mas às vezes as pequenas coisas, como o triste fim do pobre gafanhoto, que são a gota de água num copo bem cheio. É verdade que gosto de me rir, que acho que os outros não podem ser o escape do que não corre bem, mas há dias que o fluxo tem que ser canalizado para algum lado. Na parafernália de objectivos não atingidos por excesso de peso, é só o não reconhecimento do esforço o que mais me pesa. Não é fácil ser mãe divorciada, mas ainda é mais difícil quando se tenta fazer a vida tentando não entrar nas dispostas impostas por lei. Às vezes sinto-me como o pobre do gafanhoto, apanhado numa teia e morto, deixado como alimento, à porta do buraco.

Dês_ ilusão

Criteriosas são as palavras que escolho, os lugares onde me acolho para fugir da vulgaridade
Dos dias sempre iguais.
Fujo do passado .
Escondo-me do futuro na esperança que só a sinceridade me acolha em seus braços.
Já não espero a felicidade. Talvez ela me encontre, por uma qualquer coincidência, dessas em que eu não acreditava mas agora peço diligentemente, nas minhas orações a uma força maior, que existam para que possa voltar a acreditar no poder das boas intenções, sobre a vontade de chegar a algum lugar a todo o custo. Sou contra o custo da vida. Não acredito em contas por pagar a quem não merece receber o que não dá.

Perguntam-me se acredito

Acredito na sinceridade de um gesto, na subtileza da palavra de conforto, no abraço da espera de quem sabe que o peso foi maior do que os ombros conseguiam carregar. Não quero que me empurrem para a frente. Não quero ter mais para caminhar. Quero o entendimento simples daqueles que escolhem, apesar de todos os pesares, de todos os azares,ficar ao lado, presentes, a ajudar, porque os dias maus são a constante de quem vive  deste frenesim que é a desilusão.