Esquecida

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e depois há os dias que são gastos com nada. Que se esfumam entre os por favores e os obrigados, em que os panos brancos envolvem cuidados e sorrisos de circunstância e os problemas de todos tendem a ser resolvidos nas mãos que seguram sozinhas o movimento perpétuo do entra e sai de um paraíso que se procura dentro dos purgatórios internos…

São nos olhares alheios que encontro as respostas às perguntas que já ninguém faz

, que encontro a satisfação que já não procuro.

Talvez me perca nos afazeres que me obrigam a manter os pés na terra. Talvez me iluda na importância do alívio geral do sofrimento alheio. Talvez me perca. Talvez me esqueça. Que andar esquecida é a protecção do pobre contra a frigidez da vida.

…e talvez um dia se desperte. Talvez um dia se descubra rica no valor desse alivio que teima em não chegar ao lugar certo.

 

 

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