Na floresta da vida

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Os grilos acordam-me os pensamentos longínquos. Lembro-me de ti

Não sei se é de ti que me lembro, se de

mim ou de nós, da nossa voz há tanto esquecida.

Os grilos lembram-me as campainhas que nos chamam na urgência de causas que nunca saberemos se estarão perdidas logo no seu primeiro indício. Tal como nunca saberemos o que nos chama,quando ardemos no fogo dos pensamentos que nos unem mesmo nas distâncias intangíveis.

Quando me habitas, os pensamentos, abrem-me o peito as distâncias entre o que sonho e o que a vida me dá.
Fixo-me na saudade.

A saudade é o medo que as campainhas toquem para anunciar a nossa causa perdida. A saudade é o medo que vas de vez e não tenha mais como te ver. O medo de te perder nos caminhos imperceptíveis que é a floresta da vida.

As estações sucedem-se mas a música dos grilos tem-se mantido. Como se mantém a distância entre onde estou e onde pretendi chegar quando cruzei o atalho da floresta onde te encontrei.

As campainhas vão tocando, as causas entram-nos por dentro, a vida sai-nos das entranhas e multiplica-se no movimento dos nossos corpos, das nossas mãos, mas a minha alma mantém-se fixa na áurea beleza da madrugada , perscutando o som dos grilos, tentando que o vento me traga motivos para me ir sempre lembrando de ti .

Matando a saudade e o medo de não mais te ver perto do lugar onde sempre estarei para ti