A natureza das coisas

Ainda à pouco sentei-me para uma pausa para o cigarro lá fora e assisti sem querer ( bom, não assisti verdadeiramente porque quando me apercebi do que ia acontecer virei a cara para o lado, às vezes a crueldade da natureza ainda me choca). Um pequeno gafanhoto tinha caído numa teia de aranha e tentava libertar-se – foi o ruido que me chamou a atenção entre os pensamentos – entretanto, a pequena aranha já lá vinha pronta para terminar o serviço que a teia montada já tinha feito. Agora voltei a sair para mais uma pequena pausa e o pobre gafanhoto, já jazia, imóvel junto ao buraco onde a aranha se esconde…
Toda a gente sabe que ando cansada, que ando mesmo nos limites da sanidade ( lá me vou aguentando) mas às vezes as pequenas coisas, como o triste fim do pobre gafanhoto, que são a gota de água num copo bem cheio. É verdade que gosto de me rir, que acho que os outros não podem ser o escape do que não corre bem, mas há dias que o fluxo tem que ser canalizado para algum lado. Na parafernália de objectivos não atingidos por excesso de peso, é só o não reconhecimento do esforço o que mais me pesa. Não é fácil ser mãe divorciada, mas ainda é mais difícil quando se tenta fazer a vida tentando não entrar nas dispostas impostas por lei. Às vezes sinto-me como o pobre do gafanhoto, apanhado numa teia e morto, deixado como alimento, à porta do buraco.