Pouco mais que isto

Ao fazer a leitura diária de hoje, deparei-me com isto. Ora aí está um assunto sobre o qual vale a pena reflectir. Sou orgulhosamente mãe, como se sabe, mas é um facto que concordo totalmente com o que se escreve naquele post. Teoricamente concordo. O pior é, de facto, o mais difícil. Isto é: sim, não nos podemos anular enquanto pessoas, nem enquanto mulheres ou homens ou pais ou “whatever” mas o que é facto é que as crianças necessitam de mimo, de atenção, de uma parafernália de coisas como alimentação, saúde e educação e para isso é necessário ( imaginem…) dinheiro! e para ganhar dinheiro é necessário ( o que será, o que será?) trabalhar e para trabalhar é necessário ( hummm…) cada vez mais tempo…e o que sobra pouco basta para matar saudades e educar e transmitir valores e ideias e dar bases para a vida futura. O que sobra depois de tudo isto? Uma vida que gira, inevitavelmente, em redor dos filhos que escolhemos ter, por opção de vida. Não me choca quem toma a opção de não ter filhos. Choca-me muito mais quem os tem e depois se desresponsabiliza do seu futuro.
É certo que transmitir aos filhos a importância da mãe como ser individual e com identidade própria deve ser muito importante, mas garanto-vos que é muito difícil quando à nossa volta rodam uma série de super-heróis que ainda acham que a obrigação da mãe é anular-se em prol dos filhos. Nesta fase da vida e da conjuntura ( adoro esta palavra para descrever isto que nos está a acontecer, de sermos praticamente explorados para conseguirmos pagar os erros que muitas das vezes nem nossos são) é-me impossível gerir a vida sozinha e recorro a quem sempre me abriu a porta: os avós. Um avô babado, que já foi um pai babado e que agora, protege os meninos de tudo e mais alguma coisa, esquecendo-se que, se não aprenderem a cair, não aprendem a levantar-se. Os avós são as figuras mais importantes para que saibamos respeitar a sabedoria da idade, mas o papel das mulheres no mundo mudou e com ele a necessidade de espaço e de tempo para encontrarmos de novo o nosso lugar. Voltar para a casa dos pais foi um duro golpe na liberdade e independência mas sobretudo foi o golpe de misericórdia na mulher, que passou a ser exclusivamente mãe e profissional. Posto isto, é natural que sejam eles e os feitos deles os que mais me orgulham. É que pouco tempo há para muito mais que isso…

E se alguém de repente te oferecer flores? bom, primeiro vou ter que perceber muito bem o que é que eu ainda consigo fazer com isso…