Lembranças de melodias

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Talvez não te reconheçam as velhas , que nos poiais da vida tricotam as vestes da nacionalidade.
Talvez não falem de ti, aos moços sentados às secretarias tentando sugar das palavras todo o conhecimento daquilo que nunca viram.
Talvez não. Talvez no futuro não sobrem mais do que as lembranças das tuas melodias. Ainda assim me tocas.

Tocas. E o fogo com que impeles a música, vibrando o instrumento que te deu a voz, com que me encantaste, matou, no desfiar dos dias o inverno que tomou conta dos meus sentidos. É o fogo desse instrumento que me amorna a perspectiva e fez chegar a casa, o Verão.

É esta a nação das almas perdidas, que se acham nas pequenas coisas que o tempo não apagou.

É.  É assim o calor do meu sangue, igual ao teu, que não se esfria nas crises mas se recria continuamente ardendo por dentro, queimando o que não faz falta, aquecendo a esperança que não se perde.

Encontram-se, em todas as curvas da estrada, as estórias da mulher, sentada, sonhando a abalada da dor. Ardendo, por dentro e por fora na órbita de um grande amor. 

Talvez não te reconheçam, talvez nunca venham a saber. Mas o Verão que habita em mim, fizeste por o merecer.