Dizer a saudade de ti

…e agora?

Aprendi a desdizer o amor. Escondido por trás das pedras da calçada ficou seguro das passadas, dos apressados e das pisadelas de salto fino que se  fincam na carne.

De que falas tu?

Falo da facilidade em dizer o amor que já não me descorre.
Dizia-o com a facilidade de quem canta uma canção e sentia-o ainda mais forte, no peito que se enche de emoção de cada vez que se preocupa com quem o preenche.

Dizias. Já não dizes?

Já não me é fácil. Roubaram-me a linha condutora que liga a boca ao coração e desligaram a ficha da saudade quando julguei não poder voltar a, realmente saciá-la. Também se sacia a saudade sabes? Sacia-se a saudade quando os olhos nos dizem o que corpo sente e a boca confirma depois. Sacia-se a saudade na verdade dos factos, no

senti a tua falta

ou no

pensei em ti.

Há quem utilize a boca para ficar calado ou atirar pedras para o fogo da inquisição. As dúvidas corroem-nos por dentro. As palavras murcham. A saudade fica fria e deixa de ser para saciar. Fica coisa de se usar, no dia a dia

Se te pedisse para me dizeres o amor o que me dirias?

Digo-te que senti a tua falta todos os dias, até me vestir com ela e passar a ser a roupa que uso  de mim.Digo-te que embora não   queiras aparentemente o papel ainda és o herói que reciei, e ainda receio, ser atacado pelos bandidos. Digo-te que para mim, o que escolheres está bom, porque se te faz feliz, eu serei feliz também, de qualquer das formas. A roupa com que me visto tem a forma da tua falta.

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