Ser mãe

Gostava de definir por palavras o que me fazes sentir. Entre o desejo de cuidar, de manter são e saudável e fazer feliz. O desejo não chega para ter certeza que sempre tudo correrá bem e que tudo se irá resolver.

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Deveria bastar-nos o muito desejar para ter a certeza de se conseguir

Deito-me com as palavras na boca e com elas me renovo todos os dias rezando para que o universo se apodere do nosso futuro e faça fluir  na perfeição das leis da física a vida de todos os dias. Para que os sobressaltos maiores sejam os que inventarmos na nossa imaginação de infernos possíveis.

És a minha vida – não tanto assim, que gosto de palavras fortes como de presenças e emoções fortes que me devolvam certezas do que estou a sentir – e sem ti, muito do que sou não faz sentido algum. Vivo para te saber parte do tudo. Vivo mais desde que fazes parte do meu todo, porque sem ti sou apenas partes amorfas que não têm uso. Talvez abuses, mas os teus abusos são o mimo necessário para que sejamos nós, como somos. E depois de ti não resta quase nada. Mas resta, e para te ver homem, inteiro, caminharia descalça por entre brasas, na solidão das profundezas, se isso me devolvesse certezas, de que seriamos, todos, mais felizes assim.