A minha tribo

Fomos sempre chamadas de índias e nem sempre fomos uma tribo pacífica… mas esse era o tempo em que a casa ainda não era a dos netos… mais pequena, o nosso quarto era minúsculo mas os beliches permitiam a  nossa presença e a de mais 2 num espaço que visto de agora me faz pensar em como seria que lá conseguíamos caber. Os azulejos da casa de banho eram um de cada nação, de um mau gosto impar, mas que ainda hoje, habitam nas minhas recordações quase todos os padrões misturados à balda. Mesmo depois de a minha mãe ter exigido a pintura das paredes de cores normais, para se poder habitar a casa, por baixo dos interruptores (antigos de grandes barrigas e com a mania de descolar das paredes) conseguiam distinguir-se o azul eléctrico dos quartos e o laranja choque da cozinha. Era assim a casa antes da família aumentar. Eram assim os Verões pautados por dias de praia e fins de tarde a ver o sol a esconder-se para lá da linha traçada no horizonte pelo mar. Era assim uma liberdade, não comum nos dias de escola, que nos permitia correr e gritar à vontade, o que nos valeu a alcunha de “índias” pelos pais.

Nunca gostei muito de estar quieta, quando não podia manter-me em movimento, a cabeça tratava de fazer esse movimento pelo corpo e devorava livros e histórias e tudo o que me fizesse manter-me a “carborar”. A minha irmã sempre foi mais da “pica do negócio”, sou capaz de me lembrar de uns quantos e outros tantos, desde os tempos mais remotos. Invariavelmente com algum sucesso.

É engraçado regressar agora, em mais uma das suas ideias, a reanimar a ideia das tribos. Estou curiosa para ver como ficou tudo, depois de pronto, porque é bom podermos dar aos miúdos espaços para correr, para gritar e para terem contacto com a natureza ( a sua e a nossa) já que o dia a dia dos nossos dias já não nos permite que os miúdos sejam índios como deviam ser