Ausências

” Não há tempo morto. Nem há falta de tempo. Há o tempo e a ausência de tempo. O tempo é vida. A ausência de tempo é morte.
Nós temos um intervalo entre nascer e morrer. Só um. Só um intervalo. Só um tempo. Só uma vida.
Não somos obrigados a abraçá-la. Podemos até não ligar nenhuma. Mas é mais inteligente ser-se egoísta e cobarde e forreta com o tempo, gastando o mínimo possível em coisas que nos incomodam.
 Quem ama aprende logo como é pouco o tempo.”

 
 
MEC in Como é linda a puta da Vida
 
 
 
A morte é a ausência de vida. Li isto em algum lado, não me lembro onde. Poderia acrescentar que vida será então a ausência de morte? Não me parece. Ao fim de todos estes anos ainda me incomoda encarar a morte de frente: o inevitável, a única coisa com que não vale a pena lutar muito. Foi um dia triste e uma noite triste. Porque longe se foi um sorriso inesquecível , porque perto me ficou nas mãos o sabor a perda, sem saber como, nem porquê. Há dias assim, longos demais, que não permitem parar para se fazer o que se gosta, estar com quem se quer. É a vida, ou a ausência de morte em nós, mas convivendo tempo demais e perto demais com ela.
 
Sinto há algum tempo que caminho para o virar, para a curva que me mostrará o novo caminho. Mas por mais que caminhe a curva mantém-se à mesma distância, como uma miragem, embora eu continue a andar, sempre, mais e mais…
 
Ontem foi um dia triste, foi uma noite triste. Dizem que tristeza também é vida, mas se vida é ausência de morte, onde colocar tanto vazio nos dias?