Sem ti

É assim que vai ser – disseste. … e abalaste. Eu abalei-me na tua ausência. ( abalam-me sempre as tuas ausencias). Adormeci no vazio de não te saber. Adormeci,  no abraço das tuas memórias.  Abalei-me no sonho de te ter meu, de te saber o sabor. ( sabes-me a bom, a muito, a quero mais).Sabem-me a demasiado longas as tuas ausências. E fica sempre para depois, um dia, aquele em que me acordas, em que o teu abraço me preenche todos os espaços vazios. Os espaços que só se enchem com as tuas formas, que só se sentem completos com o molde que lhes dás.  Vejo-te ao longe ainda,  mas mesmo ao longe continuas a encher-me as medidas que são as tuas – mas são minhas – e que sem ti são disformes,  sem brilho, sem força,  mas que se abalam na tua presença, pedindo que vejas para lá de olhar, que sintas, que toques, que me amalhes, nas malhas do calor do teu corpo, para que todos os dias do meu calendario sejam dias de nos completarmos. Só assim. Sem ti falta-me a melhor parte de mim…