Era talvez a pior hora do dia. Era a hora em que se lembrava mais, em que lhe fazia mais falta. A media luz dava-lhe a noção de pertença, de sossego, de lar, mas faltavam-lhe os vai e vem, os pensamentos difusos no ar que pareciam que o acompanhavam a cada ida e volta. Cumpriu-se no fundo o que profetizou. Que seria difícil estarem longe,  que seria difícil acabar cada conversa, cada sorriso, cada cumplicidade. Era a esta hora que mais falta lhe fazia e a internet não havia meio de os ligar. Não era a mesma coisa ( não,  não era) mas era a forma possível enquanto a vida, traiçoeira, a mandava para longe, para poder trabalhar. 
Olhou à volta. Nada daquilo era dela, nada ali era seu. Mas a luz difusa dava-lhe a sensação de estar em casa…do outro lado do ecrã ele finalmente apareceu … se pudesse apagava o tempo a existir entre a chegada e a partida só para poder estar junto daquilo que queria tanto como seu.