Hoje “esbardalhei-me” .  Num olhar superficial e técnico entendi de imediato que não era coisa de monta, sem necessidade de grandes cuidados ou desinfecção.  Uma vulgar escoriação que não merecia mais do que uma limpeza e o mar estava ali tão perto. Levantei-me num ápice,  com o olhar focado no ângulo que estava a ver e que queria captar com a minha máquina, não sem antes comunicar num inglês “macarronico” com uns franceses que passavam, assistiram à cena e se preocuparam, aconselhando-me a fazer o resto da descida a pique sem as sandálias que me levaram ao chão.  Tirei a fotografia,  descansei a preocupação dos meninos e lembrei-me : há mais ou menos 2 semanas o Rodrigo fez uma ferida praticamente igual e o tratamento foi exactamente o mesmo, esperar que sare. Tecnicamente correcto mas desprovido de um sentir para a dor, que essa é diferente em cada um de nós e não se vê,  é necessário aprender a desvendá-la. Nada como a experiência traumática para nos lembrar como dói o quê… ainda assim, quando é para aprender a dor é bom que seja a fazer algo que se gosta, tendo alguém nosso a quem dar a mão ou tal como eu, com uma paisagem magnífica. 

Percorremos o litoral alentejano, hoje, desde a sua ponta mais Algarvia, em Odeceixe, até Troia, sempre com o sentido em grandes amizades que nos esperavam, quer num lado, quer no outro. Gosto de percorrer caminhos que nos devolvam origens, reconhecimentos mas também novidades ou o naturalmente desconhecido. As estradas estão melhores, talvez apenas as melhoras possíveis,  mas é bom reconhecer as cores e os cheiros do Alentejo em  paisagens que ainda desconhecia.

Foi um dia bom, cansativo,mas bom, que deu para matar as saudades e mostrar aos miúdos este nosso Alentejano,  para que lhes fique marcado, tal como ficou a mim para que lhe possam replicar as  maravilhas quando partirem para formar o seu próprio mundo no lugar que escolherem para ser o seu.

Por enquanto apenas lhes diz “passeio” mas são as sementes que lhes plantamos que vão dar origem, no futuro, a um significado para a vida.

A mim também me marcou, este passeio, como marca sempre a natureza, mais que não fosse pelas fotos dentro da máquina e pelo joelho, a querer fazer lembrar uma menina de 5 anos…