Papoilas saltitantes

Tivemos um fim de semana em grande. O desporto dá saúde e é de pequenino que os bons hábitos devem ser enraizados.
Assim, sempre me preocupei  que os meninos praticassem uma qualquer modalidade, em que se sentissem bem.
Com a chegada do novo ano escolar , regressam também as práticas desportivas e dividir-me entre duas modalidades e dois horários de jogos não é tarefa fácil. Com um jeitinho daqui e dali e alguma ajuda da família e dos amigos lá se vai conseguindo.
No sábado foi dia dos primeiros jogos da época, com direito a duas excelentes derrotas que são essenciais para a boa aprendizagem do desporto e sobretudo para a aprendizagem a lidar com a frustração. Costumo dizer que quem não sabe perder, dificilmente saberá ganhar ( posso estar errada, mas até agora não descobri nenhum motivo para mudar o meu pensamento).
No Domingo foi dia de cumprir uma promessa: fui com o Afonso à nossa primeira visita ao estádio da Luz. Para quem nasceu benfiquista e descobriu mais tarde que afinal haviam outras cores com que me identificava mais, ir ao estádio da Luz era também um sonho de criança por cumprir e por isso fomos na realidade duas as crianças a realizar o sonho : eu e ele. Na verdade já conheço alguns grandes estádios. Já fui a Alvalade ( claro!) e também já fui ao Dragão. Ironicamente ao estádio da Luz nunca tinha ido.
Cumpre-se o sonho e lá estamos nós. Absorvo-lhe a admiração como se fosse a minha e o olhar de espanto enche-me o peito de gratidão por ter tomado a decisão de o levar ( culpa da madrinha Sofia, que está sempre atenta a estas oportunidades de realizar os sonhos dos miúdos) . É um estádio grande, que dá a sensação de espaço aberto, de imensidão, de ser abraçado pela tal família benfiquista que nos acolhe e nos convida a festejar com ela. Uma casa que dá a sensação de pertença e sem dar por isso, no calor da euforia do efeito, já gritava golo em plenos pulmões, na espectativa de que o miúdo nunca mais se esqueça daqueles momentos em que saltava no ar, feliz, com a sensação de pertencer a um grupo, a um movimento, a algo com que se identifica.
Foi um bom jogo, que lhe permitiu, na primeira parte, mirar tudo quanto o rodeava e na segunda, gritar a plenos pulmões a sua alegria. Saí satisfeita e com vontade de voltar. Um bom programa de Domingo! Fica-me na vontade o objectivo de os levar aos dois, na tentativa de que aprendam a respeitar as decisões um do outro, alternando entre as visitas a Alvalade e a Luz. Porque é possível gostar da festa, do espectáculo e partilha-lo em conjunto, cedendo aqui e acolá às preferências e cada um. Ontem, fomos apenas mais duas papoilas saltitantes!