Sem motivos

… e é por isso e só por isso que a um pássaro já ferido não se pode atirar-se ao coração. 

Há limites, também por la. Nem tudo cabe num coração sem sustento. A inconviniência do gesto ditou-lhe o futuro. A ave caiu do céu. Rasgaram-lhe as asas, esventraram-lhe o pulso. Serviu de caça. 

Nada resta. Não sobram mais palavras. Apenas a lembrança da ave que voava no céu.

Que queres que mais te diga se ao atirares acertaste em cheio no local onde não deverias tocar assim? Que queres agora, que jaz morta a ave? Milagres? Fa-los tu. Aqui não se aceitam. Aqui só coragem e determinação.  Não volto a recolher os restos dos corações que implodes sei lá eu com que motivação.  Não sou o teu cão de caça para te levar às mãos o troféu.  Vai tu buscá-lo se o quiseres. A mim de nada me serve uma ave sem vida.