Do tempo

Chove.
Às vezes nem sei
se é lá fora ou cá dentro
que chove.
Derramam-se em mim
Liquidas amarguras que de larguras substitui por levezas,
certezas e ocupações
São as equações da vida – dirás.

Digo-te que de tudo, o que mais custa é o peso que não sai, esse que os ombros carregam como se fossem nuvens, prontas a descarregar a energia que se gasta só para conseguir carregar – o peso.

Hoje faz sol
E da cabeça aquecida
Esfuma-se o que está a mais
Aquilo que nem sei o que é
O que me pesa?
Pergunto-me
O que me pesa?

Pesam-me os dias, presos ao que tem que ser, as obrigações sólidas,  pesa-me o tempo, que pesa o instante que não tenho para mim.  Pesa-me o que não há. 

…e depois vem a paz,
O haver do momento seguinte
O não saber por onde ir
O não ir
O não saber
O não fazer, o ficar
Por não se ter para onde ir
A paz da não decisão
que traz consigo, a paz sólida,
De não me ser exigido o chegar