Era pequena, tão pequena que aos olhos só lhe chegava a luz das cinzas que aqueciam o fundo da bilha, cheia de pequenos orifícios por onde se ouvia o sal estoirar.
Tudo o resto ficava acima do seu campo de visão, como se fosse um outro lugar, uma outra dimensão das coisas.

Queres castanhas?

Acenou com a cabeça, sem dizer uma palavra.  Preferia concentrar-se na luz, no cheiro que invadia o ar e no som do sal a estoirar.

Toma são doze, uma por cada mês do ano.

Naquele canto já não se vendem castanhas, já não cheira a Outono. Até a paisagem mudou. Se fosse hoje, olharia-o de frente, pagaria as suas próprias castanhas e agradeceria todos os momentos que a recordação deixou. Quem lhe  saberia dizer, então, que há momentos na vida que não se esquecem e que por muito que se queira jamais se repetirão…