Sigur

Gostava que estivesses lá, que tivesses visto como é diferente ( esqueço-me que deves saber como é) . É nos rostos que sentimos a diferença, sobretudo. Na calma, nos movimentos ordeiros.

Estou saturada de gritos, cansada… das insuficiências de quem nada lhes basta, quando me sei bastar com tão pouco de bom

Saí de chapéu enterrado até às orelhas para o meio da chuva como se estivesse um dia de sol, caminhei com a mesma segurança como se do céu nenhuma fúria viesse, tal como as minhas parecem ter serenado, embora o caminho me pareça ainda nebuloso. Não me importo, já não me importo…

O sonhar de lareira acesa, que por acaso hoje lhe faltou o fósforo, mas que sei que daqui para a frente estará sempre ali, a certeza da flor acabada de colocar  ( a primeira de muitas, espero, de pétalas branca e roxa que achei que parecia um enxerto do nosso sonho) , o silêncio do sono das crianças, a paz de um quarto que parece ter nascido para mim e o piano, sempre o piano…

e não me perguntes porquê, mas o piano traz-me sempre à memória as tuas mãos, serenas e certeiras como quem sabe sempre aquilo que quer fazer…