Pássaros

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Éramos como pássaros voando nos céus de um sol, ainda há pouco nascidos. Éramos bandos de liberdade pintando os céus roubados, aos dias quentes. Somos menos agora, por entre os arrozais de verde esperança, de que não se acabe a água em que se semeia o Verão.

Éramos gente, somos agora cidadãos de um mundo estranho, de estranhos que não se tocam,

ainda assim conseguimos ser.

O quê?

ouvi a melodia que carpida a solidão. Já não sei quem fomos, se soube quem somos.

Pratico a gratidão dos dias frios, agradecendo o calor que me permanece no corpo e pouco mais de acende em nós agora:

ainda tento…

Troco tostões por almas sem corpo e corpos sem a alma da madrugada. E durmo ao sabor dos sonhos que ficaram no por do meu sol . Mas vou, como pássaro roubado aos céus (de pata ferida não se pode saltar) restam-me os voos rasteiros, lentos, assegurados do sentimento que apesar de tudo ainda não perdi. Só aprendi. Podem-se roubar os pássaros ao céu, mas nunca roubar o céu, aos pássaros. As feridas de dentro curam-se no chão, que a morte não é solução para tudo. Tu, eu , nós e a multidão e as estações que ainda esperam por nós:

Como pássaros, voando nos céus, já há muito nascidos…