O que é a vida. Amor?

Conversas de Bica

É noite e a luz da lua cobre com o seu nobre manto pálido, numa coloração semi-gelada o calor que a Terra ainda evapora.
– Sonhas…
-Como sempre…
– Com que sonhas?
– Com um país edílico onde a natureza terreste faz amor, permanentemente, com o cosmos que a envolve.
– Fascina-te a natureza…
-Sempre, toda ela. A perfeição dos corpos, animais e vegetais, assim como dos corpos celestes. A dança contínua entre a quimica e a física, que se atraem e repelem num movimento incessante que produz energia…a criação ( biologica, psicológica, até a menos lógica) a mística dos segredos da perfeição matemática, as propriedades curativas escondidas na natureza combinadas com as cabalas e as superstições. Tudo o que abarca a vida me fascina.
– E o que é a vida?
Olhei-te. A pergunta não se enquadrava no quadro de referências que tenho de ti. Não que seja de…

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Dizer a saudade de ti

Conversas de Bica

…e agora?

Aprendi a desdizer o amor. Escondido por trás das pedras da calçada ficou seguro das passadas, dos apressados e das pisadelas de salto fino que se  fincam na carne.

De que falas tu?

Falo da facilidade em dizer o amor que já não me descorre.
Dizia-o com a facilidade de quem canta uma canção e sentia-o ainda mais forte, no peito que se enche de emoção de cada vez que se preocupa com quem o preenche.

Dizias. Já não dizes?

Já não me é fácil. Roubaram-me a linha condutora que liga a boca ao coração e desligaram a ficha da saudade quando julguei não poder voltar a, realmente saciá-la. Também se sacia a saudade sabes? Sacia-se a saudade quando os olhos nos dizem o que corpo sente e a boca confirma depois. Sacia-se a saudade na verdade dos factos, no

senti a tua falta

ou no

pensei em…

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So(m)bras

Conversas de Bica

Sobra…
Sobra sempre alguma coisa.
Sobro eu…
Sobra o que resta do que não se consumiu.
Sobra o orvalho da manhã nos meus olhos, quando o frio da noite vai embora. Sobram os restos da noite quando o lençol em desalinho demonstra a ausência do sono.
Sobram as formas da escuridão quando em pleno dia se faz sombra.
Sobramos nós, sempre que mais nada há a dizer.
Sobra a vida…
Essa a que nada podemos impor a não ser vontade. Sobram as escalas que o homem inventou para te poder medir, nos poder medir. O tempo, a ampulheta que te oculta em contra-relógio o quanto sobra…
Sobram os medos de não chegar, de não fazer, de não ser capaz ( e o orvalho que não seca, o sol que não vem, as sombras que não chegam no pino do calor).
Sobra a compreensão que para tudo há o seu jeito…

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Vida de feiticeira

Conversas de Bica

Voamos? Sim voamos.
Saimos de casa pela manhã, como pessoas normais. A nossa rotina, não se enquadra nas filas de trânsito, nem no calor demasiadamente apinhado de humanas (in)consciências.
Voamos.
Não passamos por marginais, nem autorotas de kilometros sempre iguais.
A nossa paisagem é construida por montanhas e vales, países desconhecidos, criamos caminhos por onde a nossa imaginação espreitar.
Não trabalhamos. Empregamos a nossa imaginação em prol do que é necessário ser feito. Um sorriso, um papel, um feitiço, um ensinar a amar e a trabalhar, sem o esforço de um não gostar.
Voamos.
Cruzam-se vidas, choros, mágoas, sorrisos, por entre os sonhos que sonhamos viver e as vidas que vivemos sonhando.
A mulher que fala demais, mesmo ao teu lado ( peru, engalanado em vesperas de dia de Páscoa ) e ris, fingindo atenção e coração às palavras que se sobrepõem sem nada dizer. O homem de olhar apagado…

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